Cultura

Há 50 anos, Ronaldo e Rogério Duarte eram sequestrados pela Ditadura Militar

O designer Gabriel Bernabó, filho do cineasta Ronaldo Duarte e sobrinho do também designer Rogério Duarte, relembra 50 anos da prisão de ambos pelo Exército Brasileiro, considerado o primeiro caso de "Terrorismo de Estado da "Revolução de 1964". [Leia mais...]

[Há 50 anos, Ronaldo e Rogério Duarte eram sequestrados pela Ditadura Militar]
Foto : Reprodução

Por James Martins no dia 04 de Abril de 2018 ⋅ 09:10

É clichê, mas, como todo clichê, revelador: "Povo que não conhece a própria história está condenado a repeti-la". O designer Gabriel Bernabó, filho do cineasta Ronaldo Duarte e sobrinho do também designer, compositor, escritor, tradutor e pau-pra-toda-obra Rogério Duarte, parece evocar a frase atribuida a Che Guevara ao lembrar, em uma publicação no Facebook, que hoje (4), dia do esperado julgamento do Habeas Corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo STF, completam-se exatos 50 anos da prisão de seu pai e seu tio "pelo Glorioso Exército Brasileiro", fato que deu início a um dos períodos mais sombrios da história do país, reconhecido como o primeiro caso de "Terrorismo de Estado da ʹRevoluçãoʹ".

No final daquele mesmo ano foi instaurado o Ato Institucional nº 5, que prendeu, entre outros, os baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil. "Não sou de textões e evito postar seriedades, MAS: Há exatos 50 anos, em 4 de abril de 1968, o engenheiro e cineasta Ronaldo Duarte Guimarães, meu pai, e seu irmão, o designer Rogério Duarte, foram sequestrados pelo Glorioso Exército Brasileiro quando chegavam à Candelária, para a missa de sétimo-dia do estudante secundarista Edson Luís de Lima Souto, morto pela Polícia Militar em um confronto no restaurante Calabouço, no centro do Rio de Janeiro", começa Gabriel.

E segue: "Os dois foram barbaramente torturados durante vários dias numa vila militar e instruídos, quando soltos, a não comentar o assunto. Foram direto aos jornais e denunciaram o ocorrido, declinando, inclusive, o nome do oficial torturador. O episódio passou à História como o primeiro caso de Terrorismo de Estado da ʹRevoluçãoʹ, por marcar o início de atividades de repressão fora da ʹlegalidadeʹ, por não ter sido, pela primeira vez, desde 1964, lavrado o correspondente B.O. nem aberto um IPM, conforme relatos de Zuenir Ventura, no livro ʹ1968 - O ano que não terminouʹ e de Elio Gaspari, em ʹA ditadura envergonhadaʹ".

Após a introdução, o texto remete ao tempo presente: "Escrevo isto tudo no dia em que o atual comandante do Glorioso Exército Brasileiro manifestou seu repúdio à impunidade e seu respeito à constituição, à paz social e à democracia, asseverando que se mantém ʹatento a suas missões institucionaisʹ, justamente na véspera do julgamento do pedido de Habeas Corpus preventivo do maior ícone da esquerda brasileira, para muitos condenado sem provas".

Por fim: "Duas coisas me assustam nisto tudo: a falta de senso de oportunidade do comandante do Exército Brasileiro (*atenção: contém dose elevada de sarcasmo) e, MAIS AINDA, como o relato de um fato histórico, ocorrido há 50 anos, seria absolutamente crível se estivesse sendo transmitido ao vivo nesta manhã. Aprenderemos?".

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