Cultura

'Não apoiei nenhum candidato, nem de esquerda nem de direita', diz Jorge Vercillo

Parceiro de Ronaldinho Gaúcho, ele criticou o fato de o Barcelona ter retaliado o craque por seu apoio a Bolsonaro: "Pensamento mesquinho"

['Não apoiei nenhum candidato, nem de esquerda nem de direita', diz Jorge Vercillo]
Foto : Divulgação

Por James Martins no dia 18 de Abril de 2019 ⋅ 09:23

Jorge Vercillo fez show na noite de ontem (17) no Shopping Barra, em Salvador, e conversou momentos antes com a Rádio Metrópole. Na entrevista, o cantor e compositor carioca falou sobre seu casamento recente com a biomédica baiana Martha Suarez e o clima de lua-de-mel que ainda vive. Prestes a lançar um novo álbum, "Nas Minhas Mãos", o artista disse que várias canções são dedicadas a ela, como a faixa-título e também "Filha de Itapuã" e "Paraíso Estendido". 

Ao comentar outra faixa do disco, "Garra", que tem participação de Ronaldinho Gaúcho, Vercillo refletiu sobre o momento político do país. "Eu fiz uma música política, chamada 'Lei do Retorno', que era um desabafo, e logo depois o Ronaldinho, uma pessoa maravilhosa, veio com a ideia de um rap pra colocar nessa música, que acabou entrando e mudando o título para 'Garra'. E essa gravação é muito especial, por causa da participação dele, inclusive como cidadão", disse. 

E completou: "Ele teve uma coragem enorme de expressar politicamente. Eu acho que nesse momento a gente precisa e deve se expressar politicamente. Agora, se expressar, não ofender o próximo". 
    
Vercillo lamenta a falta de diálogo entre os diferentes: "A gente precisa saber respeitar quem pensa diferente. Na verdade, com quem eu mais aprendo é com quem pensa diferente de mim. Eu estou sempre testando a minha teoria com quem pensa diferente de mim, sempre vendo um outro lado... Na verdade, amigo, essa é uma prática milenar chamada dialética, praticada pelos homens mais sábios da humanidade. É onde você põe seu pensamento à prova, com grandes opositores, mas opositores apenas de ideias, que no fundo são seus grandes amigos".

E continuou: "Então isso que dizer que o fato de você ser de direita e ter um amigo de esquerda não implica que vocês precisem brigar, se magoar, deixar de se falar, tirar a pessoa do Facebook... Eu acho isso de uma pequenez lamentável... amigos, parentes deixando de se falar por conta de divergência política". 

E lembrado do episódio em que o Barcelona retirou Ronaldinho Gaúcho do seu quadro de embaixadores, após o ex-jogador declarar apoio a Jair Bolsonaro, o cantor refletiu: "É um pensamento muito restrito e mesquinho. Veja bem, eu infelizmente não apoiei nenhum candidato, não por que eu não acredite no ser humano, eu acredito, mas já não acredito nesse sistema político. Então não apoiei nenhum candidato, nem de esquerda nem de direita. Mas, todas as pessoas têm o total direito de apoiar quem elas quiserem, tanto de esquerda quanto de direita. A gente vive em uma democracia, que é o exercício da escolha, da cidadania, então eu acho que esse pensamento [do Barcelona] foi muito pequeno".

Por fim: "Eu acho que nesse momento, como nós temos um excesso de informação no mundo, a gente deve saber filtrar as informações e dar atenção e botar energia apenas nas coisas boas e construtivas. Eu acho que a gente perde tempo com muita besteira, muita opinião infundada... A internet está aí para refletir o inconsciente coletivo, e ela faz isso muito bem, quem sou eu para criticar?, mas acho que a gente deve usar a internet para evoluir como sociedade, e a evolução é a gente se auto-responsabilizar, é a gente entender que não vai aparecer um salvador da pátria, que não é o Bolsonaro que vai salvar o Brasil, nem o Lula, nem Jesus Cristo vai descer para salvar o Brasil... quem tem que salvar o Brasil são os brasileiros, somos nós, que temos que arregaçar as mangas e construirmos um país melhor". 

Notícias relacionadas