Cultura

Harildo Deda: ‘Será que vem a censura agora? Sei lá. Tudo muito estranho’ 

Deda disse que já trabalhou em quase 80 peças, mas lamentou nunca ter assistido a um filme em que atuou e foi censurado pelos militares

[Harildo Deda: ‘Será que vem a censura agora? Sei lá. Tudo muito estranho’ ]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Alexandre Galvão no dia 30 de Abril de 2019 ⋅ 12:19

Ator e diretor teatral, Harildo Deda foi o entrevistado de hoje (30) no Jornal da Metrópole no Ar. O programa, às 11h, recebe personalidades da vida política e social da Bahia. Em entrevista a Mário Kertész, o ator relembrou passagens de sua carreira e mostrou preocupação sobre o futuro da livre expressão nas artes. 

“Teatro na Bahia é assim: de dez em dez anos ele vai para o fundo para ressurgir. É sempre assim, agora eu acho que está na iminência de surgir, de prosseguir no caminho exitoso. A gente sabe hoje, mas não sabe o amanhã. Em 64 [período da Ditadura Militar] veio a censura. Será que vem a censura agora? Quem sabe? Tudo muito estranho”, disse. 

Deda disse que já trabalhou em quase 80 peças, mas lamentou nunca ter assistido a um filme em que atuou e foi censurado pelos militares. “Já trabalhei em umas 80 peças. Está beirando 80. Cinema, todo filme que vem pra Bahia fazer, me botam. Meu primeiro filme, direção de Orlando Sena, eu nunca vi. Acho que nem orlando viu. O nome do filme era ‘A construção da moto’. Teve problema com censura, o filme sumiu. Gostaria muito de ver esse filme”, contou. 

Das produções na telona, o ator baiano diz que a cena preferia foi rodada ao lado de Othon Bastos e Fernanda Montenegro, em Central do Brasil. “Foi uma coisa pequena, mas que gostei tanto. Junto de Othon Bastos e dona Fernanda. Eu era dono de uma venda no interior e percebia que ela está levando alguma coisa. Quando ela era perguntada, abria a bolsa e dizia que não iria levar nada, pois não tinha gostado”, lembrou, aos risos. 

Nascido em Sergipe, “United States of Sergipe”, Harildo veio para a Bahia aos 12 anos, estudas no Colégio 2 de Julho, onde conheceu MK. “Consegui através do professor doutor Basílio Catalá de Castro”. Aos 79 anos, ele ostenta com felicidade o título de velho. “Velho mesmo, com muito orgulho”. E histórias para contar. 

Confira a entrevista completa aqui: 

 

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