Cultura

Morre o diretor Antunes Filho, um revolucionário do teatro brasileiro

Criador do Centro de Pequisa Teatral (CPT), ele antecipou-se à revalorização de Nelson Rodrigues e montou espetáculos memoráveis

[Morre o diretor Antunes Filho, um revolucionário do teatro brasileiro]
Foto : Divulgação

Por James Martins no dia 03 de Maio de 2019 ⋅ 08:30

Morreu nesta quinta-feira (2) o diretor teatral Antunes Filho, um dos mais importantes nomes da dramaturgia no país. Com 89 anos, o montador de uma impactante "Medeia" (2001) estava internado desde segunda (29) no Hospital Sírio-Libanês e foi diagnosticado com um câncer de pulmão. 

Ao longo de mais 60 anos de carreira, Antunes Filho desconcertou os palcos e plateias do país com uma concepção muito própria de teatro. Criador do Centro de Pequisa Teatral (CPT), o artista influenciou várias gerações e formou atores com uma liberdade bem maior que a habitual.

"Nesta noite do dia 2 de maio o Sesc, o teatro e todo Brasil estão mais tristes. Lamentamos o falecimento do diretor de teatro Antunes Filho, aos 89 anos, no Hospital Sírio-Libanês", informou o Sesc SP no Facebook.

A primeira encenação profissional do diretor foi “Week End”, de Noel Coward, para o Teatro Íntimo de Nicete Bruno, em 1953. Já em 58, com a companhia PTC (Pequeno Teatro de Comédia), fundada pelo próprio, Antunes Filho montou “O Diário de Anne Frank”, sucesso de público e crítica.

O grande marco de sua trajetória, no entanto, é o "Macunaíma" (1978). O espetáculo, montado com um grupo de jovens artistas e sob o patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, no Teatro São Pedro, foi tão importante que possibilitou, ao final da temporada, a criação do já citado CPT (Centro de Pesquisa Teatral), encampado pelo Sesc.

Fascinado por Nelson Rodrigues, dirigiu várias de suas peças, sendo, inclusive, ironizado (mas sinceramente admirado) pelo autor. E, se não será aqui chamado de gênio, é apenas por que ele mesmo declarou certa vez que "no teatro brasileiro só teve um gênio, contando atores, cenógrafos, bilheteiros etc, chama-se Nelson Rodrigues".

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