Cultura

'As pessoas não dão importância ao holocausto negro', diz Lazzo sobre racismo no Brasil

Cantor e compositor também afirmou, em entrevista à Rádio Metrópole, que encara a música como uma "missão"

['As pessoas não dão importância ao holocausto negro', diz Lazzo sobre racismo no Brasil]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Juliana Rodrigues no dia 31 de Maio de 2019 ⋅ 12:20

Em entrevista a Mário Kertész e James Martins no Jornal da Metrópole no Ar de hoje (31), na Rádio Metrópole, o cantor e compositor Lazzo Matumbi falou sobre racismo e afirmou que a internet tem feito com que as pessoas se sintam mais livres para expressarem seus preconceitos. No entanto, para ele, o atual momento é de "transição" para uma época de maior tolerância.

"Se você for ver, nos dias de hoje isso veio mais à tona, as pessoas se acharem no direito de dizer 'eu não gosto disso, não gosto daquilo, não gosto de você porque você é preto', a internet deu um certo suporte para as pessoas se esconderem por trás dela. Mas estamos passando por um momento de transição que é um momento de renascimento", afirmou.

O artista ressaltou que ainda hoje é necessário falar sobre racismo, embora já existam avanços sociais em relação à questão, e citou o tema do desfile da escola de samba carioca Estação Primeira de Mangueira em 2019, "História para ninar gente grande", que homenageou líderes negros e indígenas esquecidos pela História. "Quando a gente fala muito sobre a questão do racismo, do holocausto negro, as pessoas não dão tanta importância, e eu queria que elas dessem a verdadeira importância porque foram muitos e muitos negros mortos. Às vezes as pessoas acham, de forma muito estúpida, que é 'mimimi'. Ninguém tá de mimimi. Aliás, a Mangueira disse exatamente uma coisa que é superinteressante: estamos tentando contar a história que não foi contada", disse.

Lazzo também contou que tentou evitar que a filha, a compositora Virlane Carmo, entrasse no meio da música antes de ter uma formação acadêmica em outra área, por medo de que ela sofresse com o racismo. "Todas as minhas amigas que mexiam com música, principalmente mulheres negras, elas sofriam bastante. A gente vive em um país em que o couro come nessa questão racial. O que eu via era muito a coisa do 'vamos cantar, vamos fazer e acontecer', e de repente não acontecia nada, não ia a lugar nenhum. Eu via minhas amigas, minhas colegas de trabalho sofrendo e eu não queria isso para minha filha. Até porque dentro da minha história de música eu ralo e sofro até hoje. Mas eu sofro de boa. Aliás eu nem reclamo, eu só agradeço, porque eu acho que estou aqui numa missão", relatou.

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