Cultura

Vânia Abreu critica novas músicas de amor: 'Ninguém tem dor mais'

Cantora acredita que o tempo de idolatria, da era da "selfie", afeta a expressão das emoções através da música

[Vânia Abreu critica novas músicas de amor: 'Ninguém tem dor mais']
Foto : Matheus Simoni/Metropress

Por Juliana Almirante no dia 13 de Junho de 2019 ⋅ 11:45

Conhecida por dar voz a canções de amor, a cantora Vânia Abreu afirmou, em entrevista à Rádio Metrópole hoje (13), que o capitalismo tem afetado as relações amorosas. 

Para ela, as música de amor mais recentes acompanham o momento de individualismo implantado pelo sistema econômico. Ela se apresentou ontem e também se apresenta hoje no Café Teatro Rubi (veja informações abaixo).

"Elas acompanham exatamente o momento de individualismo que o capitalismo plantou. 'Estou procurando alguém para me idolatrar'. As canções são de desaforo. 'Eu vou ficar melhor ainda'. Nunca fui de desaforo, mas acho que desaforo tem muito a ver com altivez da mulher. Bethânia canta que 'passa bem demais sem você'. Tem muito a ver com a mulher se colocar de igual a igual para o homem. Minhas canções de amor são de empatia, não de mulher para homem, tem pouco gênero nos termos, mas é da dor da alma", avalia.

A cantora acredita que o tempo de idolatria, da era da "selfie", afeta ainda a expressão das emoções através da música.  

"Ninguém tem dor mais e quem tem não gosta de expor mais. Acho que isso é uma doença também. A gente quer falar de tudo com alegria e acho insuportável. Aprendi a ter canções como companhia para as minhas emoções. As canções não falam mais disso. Ou é desaforo ou se refere a mulher com vulgaridade. As pessoas acreditam que isso é neofeminismo. A própria mulher fala desse jeito", critica.

Vânia alerta que é importante que as mulheres que se questionem se mostram o corpo como uma forma de empoderamento ou se em busca de um modelo de sensualidade aos homens. Ela afirma que, diante da explosão do serviço de streaming, com lançamento de várias músicas por dia, ela ainda prefere as músicas do passado.

"Acho que tem muita coisa confusa e a arte como expressão daquele tempo mostra o quanto somos confusos. Ninguém sabe explicar o amor e, quando fala, fala com vulgaridade e desaforo", explica. 

Serviço

O quê: Vania Abreu – Amores ao Piano e Violoncelo             
Quando: 12 e 13/6 (quarta e quinta)
Horário: 20h30
Onde: Café-Teatro Rubi
Quanto: Couvert artístico – R$ 100

Compra
Bilheteria: Café-Teatro Rubi – 71 3013.1011
segunda a sábado, das 14h às 19h (em dias de apresentação, até às 20h30)
Vendas online: https://couvertartistico.cafeteatrorubi.com.br/  

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