Cultura

Com show de Elomar e Mateus Aleluia, Neojiba inaugura sala de concerto no Parque do Queimado

A sala foi projetada por Yasuhisa Toyota, um dos melhores arquitetos em acústica do mundo, e promete inclusive reeducar o ouvido do público

[Com show de Elomar e Mateus Aleluia, Neojiba inaugura sala de concerto no Parque do Queimado]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por James Martins no dia 27 de Junho de 2019 ⋅ 12:10

O maestro Ricardo Castro, fundador e diretor geral do Neojiba (Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia), anunciou em entrevista a Mário Kertész, na Rádio Metrópole, que a sede do grupo, no Parque do Queimado (Liberdade), inaugurará uma sala de concertos de câmara. A cerimônia acontecerá no próximo dia 9 de julho (terça-feira), às 9h, com shows de Elomar e Mateus Aleluia. "São os dois personagens que vão tirar os primeiros sons dessa sala. Mateus é nossa ancestralidade africana e Elomar é o restante da Bahia, o sertão", explicou Castro. 

A sala, construída com a tecnologia da Nagata Acoustics, é um dos mais sofisticados equipamentos do mundo e foi projetada no próprio prédio da antiga Companhia de Águas do Queimado. "Eu trouxe um dos melhores arquitetos em acústica do planeta, Yasuhisa Toyota, da empresa Nagata, que fez o Disney Hall de Los Angeles, a Elbephilharmonie em Hamburgo, a reforma de vários teatros importantes, e nós visitamos vários lugares para ver o que dava pra fazer", disse o maestro.

E prosseguiu: "Fomos ao Teatro Castro Alves, ao Iceia, ao Cine Jandaia e também ao Parque do Queimado, onde eu pensava em talvez construir uma sala. Mas, na saída, ele olhou para o prédio histórico que tem lá, que é tombado, e falou: 'Ricardo, não abandone esse prédio não, que dá pra fazer aqui uma capela sonora, uma salinha de câmara".

O projeto original, que deverá ser realizado mais adiante, prevê uma construção maior, quando os recursos necessários chegarem. Por ora, no entanto, a sala de câmara do Neojiba é um acontecimento que merece todo nosso entusiasmo.   

Ricardo Castro conclui: "Eu pretendo, inclusive, com essa sala, reeducar o nosso público. Porque hoje você não vai mais a um espetáculo sem levar um celular, né? Não é nem por que ele está no seu bolso, mas porque você quer filmar o espetáculo. Eu me pergunto quem é que senta e assiste uma coisa do início até o final sem filmar. É uma coisa que tá incontrolável. E esse arquiteto do som, o Toyota, às vezes é criticado no mundo porque ele cria uma acústica em que o público faz parte do espetáculo: se você faz 'clique', entra na acústica da sala. Ou seja, tem que fazer silêncio. O impacto sonoro do músico no palco é o mesmo que o de alguém na plateia. Isso provoca um silêncio mágico! E a gente quer reeducar as pessoas a entenderem a importância do silêncio". 

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