Cultura

No 1º livro de ficção, correspondente da TV Globo aborda imortalidade e busca existencial

Em entrevista à Rádio Metrópole, ele afirma que a obra trata da história de um homem que nasceu há 38 mil anos atrás e vive na nossa época

[No 1º livro de ficção, correspondente da TV Globo aborda imortalidade e busca existencial ]
Foto : Reprodução/Facebook

Por Juliana Almirante no dia 18 de Outubro de 2019 ⋅ 09:20

O correspondente internacional da TV Globo e escritor Rodrigo Alvarez lança hoje (18), às 19h, na Livraria Leitura, no do Shopping Bela Vista, o livro "O Primeiro Imortal", sua estreia no universo ficcional. 

Em entrevista à Rádio Metrópole, ele afirma que a obra trata da história de um homem que nasceu há 38 mil anos atrás e vive na nossa época. Por ser o primeiro ser humano que tem a imortalidade como característica, o personagem é alvo de interesse de cientistas. 

" O personagem Inácios, que é esse ser humano de 38 mil anos, vai vivendo depois de renascer. Ele vive no nosso tempo e é disputado pelos cientistas, que querem fazer uma série de experimentos com ele e, com isso, a ciência vai descobrindo coisas importantes sobre a imortalidade e vai surgindo debates entre os personagens, tem cristãos e ateus. Tem pessoas que estão em dúvida e tem muitos cientistas preocupados em descobrir do corpo desse homem o que eles podem aprender. A gente sabe que uma pessoa que retoma a própria vida depois de todos os anos é de se esperar que queira viver a própria vida. Então o personagem sai em busca do que pertence a ele e é aí que a história acontece", conta.

Rodrigo diz que se baseou em estudos científicos contemporâneos para criar o enredo. Uma das pesquisas que ele cita tenta fazer a transferência da consciência para um novo corpo. 

"O que se pensa agora é: o que nos faz? Qual é nossa existência? Há milênios, a gente sempre pensou na ideia da alma e do espírito. E de alguma maneira, vai se pensar também na ideia da consciência. Então o que somos nós senão nossa alma e nossa existência? Então não precisa do corpo para nós existirmos. Precisa que a gente transfira nossa consciência, a nossa alma, se isso for possível, para outro corpo biológico artificial. É nisso que os cientistas estão trabalhando", afirma.

Segundo o jornalista, um dos projetos aponta que, em 2035, será criado o primeiro avatar, uma espécie de corpo pronto para receber um cérebro. Com isso, seria possível fazer um transplante de um cérebro de uma pessoa mais velha para um corpo jovem. 

"Nesse primeiro processo, que é um pouco mais 'simples', ao transferir o cérebro, o "HD" já vai incluído no pacote, vai tudo junto. Agora o processo mais futurista ainda diz que vamos fazer sim o HD ser transferido, vamos fazer um download do cérebro todinho, passa por um computador e faz um upload em outro cérebro artificial. E esse cérebro artificial tem todas as memórias que nós tivemos  em nossa vida. Ele conhece todo mundo que a gente já conheceu, na realidade, é nosso cérebro refeito. Mas aí eu pergunto: a alma existe e vai junto com nosso cérebro? São questões complexas", questiona. 

Ao ser questionado sobre a possibilidade de o ser humano ficar angustiado com a imortalidade, Rodrigo acredita que seria necessário investir em novas formas de lidar com a questão, a exemplo da filosofia e religião.

"Como é que fica a solidão? Como é que ficam as angústias? Mas se o mundo todo se reconfigura e muitas pessoas começam a ser imortais, a questão da saudade, por exemplo, de pessoas mortas, deixa de ter. Agora como a gente aguenta o fardo da existência, que não é fácil? Então são questões que vão se colocar. O que vejo é: os cientistas primeiro querem resolver o problema. Como é que eu faço alguém viver eternamente? Agora depois disso, vamos precisar de muita psicologia, filosofia, religião, para que essa pessoa possa viver bem a imortalidade", avalia.

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