Cultura

Milton Nascimento celebra Clube da Esquina em novo show; leia entrevista

Cantor e compositor falou ao Metro1 sobre a turnê que chega a Salvador neste domingo (24) e revisitou a trajetória do movimento nascido da amizade entre os integrantes

[Milton Nascimento celebra Clube da Esquina em novo show; leia entrevista]
Foto : João Couto / Divulgação

Por Juliana Rodrigues no dia 19 de Novembro de 2019 ⋅ 12:02

Onze meses depois da última passagem por Salvador, quando abriu a programação do Réveillon na Arena Daniela Mercury, na Boca do Rio, o cantor e compositor Milton Nascimento volta à capital baiana com a turnê "Clube da Esquina", que homenageia os dois álbuns antológicos de mesmo nome. Lançados em 1972 e 1978, os discos trazem influências sonoras dos Beatles e da música popular mineira, além de terem dado origem a um movimento musical que agrega nomes como Lô Borges, Beto Guedes e Ronaldo Bastos.

Na apresentação, que acontece neste domingo (24), às 19h, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, Bituca vai mesclar faixas icônicas dos dois álbuns do Clube da Esquina, como "Um Girassol da Cor de Seu Cabelo", do LP de 1972, e "Maria, Maria", de 1978. Entre os músicos do show, está o jovem cantor carioca Zé Ibarra, integrante da banda Dônica e responsável pelo vocal de apoio.

Em entrevista concedida por e-mail ao Metro1, Milton falou sobre a "felicidade sem tamanho" que é tocar na Concha Acústica, passou em revista a trajetória do Clube da Esquina enquanto movimento musical e ressaltou a importância de celebrar a amizade em tempos de radicalismo: "Diante de tanta coisa que a gente tem visto por aí, nossa obrigação é tentar mudar isso". O artista não comentou a repercussão de sua declaração à coluna de Mônica Bergamo, na Folha, quando fez críticas à música brasileira de hoje em dia.

Confira a entrevista completa:

Metro1: O que o público de Salvador pode esperar do show? Você está preparando alguma "surpresa" especial?
Milton Nascimento: Sempre digo que a Bahia é um dos meus lugares preferidos no mundo. E a Concha Acústica de Salvador tem um lugar especial na minha vida. É uma felicidade sem tamanho quando tenho data reservada na Concha. Nunca é um show qualquer, sempre tem algo especial e esse não vai ser diferente. Será mais um encontro que vamos levar pra sempre, com certeza.

M1: O repertório do show é mais focado no primeiro disco do Clube da Esquina, mas também traz algumas faixas do segundo. Qual foi o critério para escolha dessas músicas?
MN: Estamos fazendo um show com quase 30 músicas, e a escolha foi toda feita pelo Augusto, que é o nosso diretor artístico, né? E ele dividiu os trabalhos de criação comigo e com o Wilson Lopes, que fez a direção musical. E a sequência não poderia ter ficado melhor, este show é uma definição dos dois discos. Essa banda me deixou muito feliz desde o nosso primeiro dia de ensaio na minha casa, em Juiz de Fora. Pois além de músicos maravilhosos, todos eles são meus amigos. Mas não é pouco não, viu, é muito! Nas cordas estão Wilson e Beto Lopes, na bateria Lincoln Cheib, na percussão Ronaldo Silva, no baixo Alexandre “Primo” Ito, no piano Ademir Fox e nos vocais Zé Ibarra.

M1: O trabalho musical do Clube da Esquina tem como pilar fundamental o laço de amizade entre seus membros. A amizade é, também, um tema recorrente na sua obra. Você considera importante falar sobre esse tema em tempos como os de hoje, nos quais há muito radicalismo?
MN: Hoje em dia, principalmente. Diante de tanta coisa que a gente tem visto por aí, nossa obrigação é tentar mudar isso. E falar de amizade pode ser um caminho.

M1: Como você avalia o legado do Clube enquanto movimento musical?
MN: Eu não tenho como responder isso, até porque eu acho que essa é uma opinião melhor explicada pelos fãs, pelos jornalistas e pelos críticos. Falo sempre que o que eu gosto mesmo é de ouvir as pessoas, acho que se for assim é mais direto, sabe? Na época teve pressão de todo lado. Primeiro porque na gravadora eles tiveram um estranhamento logo de cara quando eu disse que o disco seria meu e de um rapazinho de 17 anos chamado Lô Borges. Mas o nosso anjo da guarda dentro da EMI se chamava Adail Lessa [produtor da gravadora], que era conhecido como o “pai dos músicos”. Foi ele quem bancou a nossa história, e nos deu liberdade total pra fazer tudo que a gente quis. E tem mais, o Lessa não foi fundamental somente para o Clube da Esquina: se não fosse por ele, o primeiro disco do João Gilberto, com Chega de Saudade, também não teria sido gravado.

M1: A série documental sobre o Clube tem estreia prevista para janeiro de 2020, no Canal Brasil, com diversas participações especiais. Poderia contar um pouco mais sobre esse projeto?
MN: A gente passou dez dias gravando num estúdio em Belo Horizonte, onde recebemos vários amigos. Vieram tanto os parceiros da época do Clube, quando nossos novos amigos. E nessa série vai ter muita música, histórias, conversas, tudo girando em torno do Clube. A estreia está marcada para janeiro de 2020, e esse projeto veio de uma parceria entre o Canal Brasil e a Gullane, que foi quem planejou tudo.

M1: Entre os músicos da sua banda, há um "caçula", que é o Zé Ibarra. Ele, inclusive, faz parte da banda Dônica, que tem muita similaridade sonora com o Clube da Esquina. Como você conheceu o trabalho do Zé e como foi o convite para que ele fizesse parte da banda que te acompanha na turnê?
MN: Eu conheci o Zé Ibarra através da Dônica. E desde a primeira vez em que ouvi o som da banda já fiquei doido com eles. Logo depois, eu fui a alguns shows e rapidamente a gente já estava gravando junto. E nisso o Zé foi ficando cada vez mais próximo, então a gente decidiu convidá-lo pra fazer essa turnê do Clube. E tem sido uma experiência maravilhosa dividir o palco com ele. É um artista completo.

M1: No mês passado, você foi homenageado pelo conjunto da sua obra ao receber o Prêmio da União Brasileira de Compositores. Como foi essa experiência?
MN: A UBC é uma das entidades mais importantes no cenário da cultura brasileira. E tem uma atuação em defesa dos direitos do compositor que ajudou (e ainda ajuda) muita gente. E ter sido homenageado num lugar que já teve Dorival Caymmi, Mario Lago e Ari Barroso como fundadores é um sentimento muito grande.

Serviço

O QUÊ: Milton Nascimento - Turnê Clube da Esquina
QUANDO: Domingo, 24 de novembro, às 19h
ONDE: Concha Acústica do Teatro Castro Alves – Salvador (BA)
VALOR: Plateia – R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia) | Camarote – R$ 240 (inteira) e R$ 120 (meia)

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