Cultura

'Perder um ministério da Cultura é algo já muito grave', diz ator Lelo Filho

Ator baiano também falou sobre trajetória na "Companhia Baiana de Patifaria" em entrevista à Rádio Metrópole na manhã de hoje (19)

['Perder um ministério da Cultura é algo já muito grave', diz ator Lelo Filho]
Foto : Matheus Simoni/ Metropress

Por Juliana Almirante no dia 19 de Novembro de 2019 ⋅ 12:30

O ator Lelo Filho comentou, em entrevista à Rádio Metrópole, na manhã de hoje (19), a extinção do ministério da Cultura, que se tornou uma secretaria especial no governo do presidente Jair Bolsonaro. 

Foi nomeado titular da secretaria o dramaturgo Roberto Alvim, que ficou conhecido nacionalmente após chamar a atriz Fernanda Montenegro  de “mentirosa” e dizer que sentia “desprezo” pela artista.

"Primeiro, que perdemos o ministério. Um país da dimensão do Brasil perder um ministério da Cultura é algo já muito grave. Depois, essa pessoa que estava vinculada à Funarte e tinha um cargo de menor porte na Funarte, (se tornou secretário) após a agressão a Fernanda Montenegro, que este ano completa 90 anos de idade e 70 anos de profissão. A agressão foi absurda e a reação dos artistas e público em geral foi muito grande", avaliou o ator. 

Lelo diz que um caminho para o setor artístico, diante do contexto político nacional, é destacar grandes artistas, como Fernanda Montenegro, que lotou o Theatro Municipal do Rio de Janeiro ontem (19), no espetáculo "Nelson Rodrigues Por Ele Mesmo".

"Ela foi ovacionada por um Theatro Municipal lotado. Essa é a resposta que temos que dar: enaltecer grandes atores que estão na luta para que a gente leve arte e cultura para as pessoas", declarou. 

O ator baiano lembrou que se encontrou com a atriz ainda no início da carreira e ouviu dela um conselho que levou para sua vida, inclusive para o grupo de teatro "Companhia Baiana de Patifaria".

"Ela disse para mim e para Moacir Moreno, que mais tarde fundou a Companhia Baiana de Patifaria comigo: 'Todo ator precisa perseverar'. Essa frase marcou nossa história. Perseverar cabe a qualquer profissão, mas na área que a gente atua, tão sofrida e difícil de se manter em cena e atuante, é importante perseverar e trazer energia de alguma forma para não desistir", defendeu. 

Lelo diz que se sente muito feliz de participar, junto com a equipe, da história da companhia, que tem como "carro-chefe" a peça "A Bofetada", além de outros sete espetáculos no repertório.

"A gente alterou positivamente a vida de muita gente, não só de quem trabalhou com a gente. Mas gente que assiste e depõe. A gente já fez briga de casal acabar. A gente já fez mãe sair do teatro na maternidade para parir e voltar anos depois para assistir. Vó que assiste hoje com neto e tinha levado filha. Nesses 31 anos de 'A Bofetada', o quanto esse país já nos gerou, de acontecimentos bons e ruins", relembra. 

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