Cultura

Canudos vive batalhas contra desigualdade e preservação da memória, diz curador de feira literária

Evento começa hoje (21) e vai até domingo (24), com o tema "O sertão vai virar arte"

[Canudos vive batalhas contra desigualdade e preservação da memória, diz curador de feira literária]
Foto : Lucy Sampaio

Por Juliana Almirante no dia 21 de Novembro de 2019 ⋅ 12:35

Mais de um século depois da Guerra de Canudos, a cidade localizada no nordeste da Bahia ainda enfrenta batalhas contra a desigualdade e a preservação da memória. A avaliação é do professor e diretor da Uneb em Canudos Luiz Paiva Neiva, curador da I Feira Literária de Canudos, que começa hoje (21) e vai até domingo (24). (Veja aqui a programação

“Essa região foi vilipendiada pelas políticas públicas e muitas coisas foram investidas, mas vivemos até hoje a segunda batalha. Primeiro, a primeira batalha de preservar a memória, o que é tão difícil no Brasil. A segunda é a batalha contra a pobreza e a desigualdade do semiárido brasileiro. A feira literária pretende ressaltar essa questão, mas não ficar só nisso. É preciso que a feira possa revelar uma celebração ao livro e à literatura, que é tão forte na região”, disse, em entrevista à Rádio Metrópole

Ele ressalta que a Guerra de Canudos foi um dos maiores acontecimentos históricos do final do século XIX no país. 

“Cerca de 20 mil pessoas morreram, em quatro expedições do Exército Brasileiro. Vieram para cá para destruir os sonhos de Antônio Conselheiro. Se constituiu no segundo maior aglomerado populacional da Bahia. Porque Salvador tinha 200 mil e Canudos tinha 20 mil. É como se fosse o que é Feira de Santana hoje. Canudos, de lá para cá, teve essa derrota horrível. Os últimos sobreviventes foram degolados pelo Exército. De lá para cá, é um esforço de preservar a memória e história desse movimento”, lembra.

Com programação que inclui exposição de fotografias, além de oficinas de teatro e de audiovisual, um dos objetivos do evento é desenvolver a educação da localidade, que tem um dos menores índices do Ideb.

“Nós temos uma frase emblemática, que é 'O sertão vai virar arte'. Tem aquela frase atribuída a Antônio Conselheiro, de que ‘O sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão’. Queremos dizer que a arte é capaz de transformar e virar muitas coisas. Colocamos a arte do educador, do político. Transformar tudo isso em uma possibilidade de transformar. Queremos melhorar os índices da educação básica que são perversos ainda”, pontua. 

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