Cultura

Oscar: Vitória de ‘Parasita’ é uma mudança de conceito extraordinária, diz Luiz Carlos Merten 

O crítico de cinema pontua que, até mesmo antes da cerimônia, no tapete vermelho, esta edição foi marcada pela insatisfação, pelo protesto e pela tomada de posição

[Oscar: Vitória de ‘Parasita’ é uma mudança de conceito extraordinária, diz Luiz Carlos Merten ]
Foto : Divulgação/ TV Brasil

Por Juliana Almirante no dia 10 de Fevereiro de 2020 ⋅ 09:28

O jornalista e crítico de cinema do jornal “Estado de São Paulo” Luiz Carlos Merten disse, em comentário na Rádio Metrópole, que assistiu na madrugada de hoje (10), não só o Oscar mais importante da própria vida, como o mais importante da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. 

Para ele, na 92ª edição da cerimônia, apenas os prêmios de interpretação atenderam ao esperado, mas, considerando que o destaque da noite foi a produção sul-coreana “Parasita”, valeu a máxima de que a premiação é uma “caixinha de surpresas”.  Para ele, havia uma série de indicadores que apontavam para a vitória do longa "1917" (dirigido por Sam Mendes), que não se confirmaram. 

“Acho que, na realidade, alguma coisa está se passando na Academia. Porque nesses últimos anos tivemos todas as vitórias de cineastas mexicanos em prêmios de direção e agora tivemos um diretor sul-coreano (Bong Joon Ho) que ganha um prêmio de direção e ao mesmo tempo, de Melhor filme internacional e Melhor Filme (com Parasita). É um reconhecimento e uma mudança de conceito extraordinária. Porque acho que vi uma coisa diferente do que jamais tinha assistido anteriormente nos prêmios da Academia”, completou.

Luiz Carlos Merten afirma que “1917” (Sam Mendes) e "Parasita" (Bong Joon Ho) trouxeram conceitos opostos, conforme sua avaliação.

“(Em 1917) Aqueles dois soldados naquele campo de batalha, que atravessam a guerra tentando cumprir uma ordem, estão ali em uma missão e representam a ordem. O filme sul-coreano (Parasita) representa outra coisa, aquele choque entre a família pobre e a rica, os pobres que se instalam naquela casa e vão ocupando os espaços dos ricos. Os parasitas, que talvez não sejam os pobres, mas são os ricos, que dependem deles e vão abrindo espaço. Representa tudo isso uma revolta contra a exclusão social, contra a desigualdade e ao expressar isso, talvez seja o conceito de uma desordem legitimada”, afirmou. 

O crítico de cinema pontua que, até mesmo antes da cerimônia, no tapete vermelho, esta edição do Oscar foi marcada pela insatisfação, pelo protesto e pela tomada de posição

“Desde aqueles apresentadores, no começo da cerimônia, zoando com o partido Democratas, zoando com a Academia, porque não tínhamos muitos negros nem mulheres entre os indicados. Natalie Portman entrando com os nomes das diretoras que não foram indicadas no próprio vestido. Para dar conta dessa insatisfação, desse sentimento que se pode ter até de revolta, eu acho que os dois filmes (1917 e Parasita) expressavam muito isso”, disse.

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