Cultura

Morre Moraes Moreira - eterno, novo e baiano

O artista faleceu aos 72 anos, em sua casa no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro

[Morre Moraes Moreira - eterno, novo e baiano]
Foto : Divulgação

Por James Martins, Matheus Simoni e Lara Curcino no dia 13 de Abril de 2020 ⋅ 11:02

O cantor e compositor Moraes Moreira morreu na manhã desta segunda-feira (13), no Rio de Janeiro, aos 72 anos. A informação foi confirmada pela assessoria do artista em contato com o Metro1. De acordo com familiares, não se sabe o que teria causado a morte. 

"Ele estava bem, ninguém sabe as causas", informou um familiar do cantor.

Um dos mais importantes artistas da música brasileira, membro dos lendários Novos Baianos, o autor de "Sintonia" e "Pombo Correio" morreu dormindo em sua casa na Gávea. Moraes Moreira nasceu em Ituaçu, em 8 de julho de 1947, e deixa uma história de muitos sucessos e atuação fundamental também no Carnaval de Salvador, onde é considerado o primeiro cantor de trio-elétrico.

Sempre ativo, Moraes estreou recentemente o show "Elogio à Inveja", onde interpretava canções que gostaria de ter feito, a exemplo de "Quem Há de Dizer", de Lupicínio Rodrigues. Em meados de março, em pleno confinamento para evitar a pandemia, ele fez ainda um cordel de esconjuro ao coronavírus: "Eu temo o coronavírus / E zelo por minha vida / Mas tenho medo de tiros / Também de bala perdida, / A nossa fé é a vacina / O professor que me ensina / É a minha própria lida", inicia.

Confira na íntegra:

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Oi pessoal estou aqui na Gávea entre minha casa e escritório que ficam próximos,cumprindo minha quarentena,tocando e escrevendo sem parar. Este Cordel nasceu na madrugada do dia 17, envio para apreciação de vocês .Boa sorte Quarentena (Moraes Moreira) Eu temo o coronavirus E zelo por minha vida Mas tenho medo de tiros Também de bala perdida, A nossa fé é vacina O professor que me ensina Será minha própria lida Assombra-me a pandemia Que agora domina o mundo Mas tenho uma garantia Não sou nenhum vagabundo, Porque todo cidadão Merece mas atenção O sentimento é profundo Eu não queria essa praga Que não é mais do Egito Não quero que ela traga O mal que sempre eu evito, Os males não são eternos Pois os recursos modernos Estão aí, acredito De quem será esse lucro Ou mesmo a teoria? Detesto falar de estrupo Eu gosto é de poesia, Mas creio na consciência E digo não a todo dia Eu tenho medo do excesso Que seja em qualquer sentido Mas também do retrocesso Que por aí escondido, As vezes é o que notamos Passar o que já passamos Jamais será esquecido Até aceito a polícia Mas quando muda de letra E se transforma em milícia Odeio essa mutreta, Pra combater o que alarma Só tenho mesmo uma arma Que é a minha caneta Com tanta coisa inda cismo.... Estão na ordem do dia Eu digo não ao machismo Também a misoginia, Tem outros que eu não aceito É o tal do preconceito E as sombras da hipocrisia As coisas já forem postas Mas prevalecem os relés Queremos sim ter respostas Sobre as nossas Marielles, Em meio a um mundo efêmero Não é só questão de gênero Nem de homens ou mulheres O que vale é o ser humano E sua dignidade Vivemos num mundo insano Queremos mais liberdade, Pra que tudo isso mude Certeza, ninguém se ilude Não tem tempo,nem.idade

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