Cultura

João Bosco lança 'Abricó de Macaco', com homenagem à Bahia

O disco, que teve lançamento adiado por causa do estado de saúde de Aldir Blanc, traz também três parcerias com o letrista

[João Bosco lança 'Abricó de Macaco', com homenagem à Bahia]
Foto : Divulgação

Por James Martins no dia 15 de Maio de 2020 ⋅ 15:49

Saiu hoje (15) o novo disco de João Bosco, "Abricó-de-Macaco", cujo lançamento, originalmente previsto para abril, tinha sido adiado por causa do estado de saúde de Aldir Blanc, principal parceiro do cantor, que veio a falecer no dia 4 deste mês. O álbum tem 16 faixas, três em parceria com Aldir, e duas inéditas: a canção-título e "Horda", com Francisco Bosco.

Curiosamente, a música de abertura é "Mano Que Zuera", faixa-título do álbum anterior do artista, lançado em 2017. Com isso, talvez, João Bosco quis deixar claro que se trata de um disco que revisita seu repertório. O aspecto "re", no entanto, não retira o frescor de um trabalho novo, com cada releitura fazendo soar inéditas  composições próprias como "Holofotes" (com Antônio Cícero e Waly Salomão), gravada originalmente em "Zona de Fronteira" (1991) e "Cabeça de Nego" (1986).

"Abricó-de-Macaco" traz ainda versões de Bosco para "Água de Beber" (Tom Jobim e Vinícius de Moraes) e "Forró em Limoeiro" (Edgar Ferreira), com que o intérprete, que já a tinha gravado em 1995, no disco "Dá Licença Meu Senhor", homenageia Jackson do Pandeiro, dessa vez com oportunas citações de "Galope" (Gonzaguinha) e "Morena do Grotão" (João do Vale).

E por falar em homenagem, a terceira faixa do álbum é "Terreiro de Jesus", que tem Edil Pacheco e Francisco Bosco como co-autores, e relembra a participação de Boscão no Dia do Samba em Salvador, numa celebração à Boa Terra e sua relação com o Rio de Janeiro dos bambas. "Dia dois, dois de dezembro, eu vou pra Bahia sambar, eu vou pra lá...", canta ele, brincando com Caymmi, por sua vez também citado nominalmente em "Nação" (Bosco/Blanc), que aqui tem como introdução o "Cordeiro de Nanã" do legendários Tincoãs.

Tendo como banda base o trio formado por Kiko Freitas (bateria), Guto Wirtti (baixo) e Ricardo Silveira (guitarra), e participações de Alfredo Del-Penho, João Cavalcanti, Moyseis Marques e Pedro Miranda nos vocais de duas faixas, além do sax soprano de Anat Cohen em outra, João Bosco, às vésperas de comemorar 50 anos de carreira, entrega mais um produto de primeiríssima linha ao país das lutas inglórias.

"Abricó-de-macaco é um fruto tropical. Você encontra esse fruto aqui no Rio de Janeiro. (...) O interessante é que o abricó-de-macaco, ele nasce como se fosse uma esfera fechada. Como se fosse um coco fechado. E, com o tempo, à medida que o tempo vai passando, ele se abre numa flor exuberante, de um colorido muito bonito. (...) Isso é uma metáfora bonita, porque é quase uma coisa da vida da gente. Que a vida da gente muitas vezes se encontra ali, num certo momento, fechada, mas, se você tiver paciência, botar fé, ela vai se abrir numa flor bonita, feito é o abricó-de-macaco", diz o artista, em um vídeo-comentário sobre a canção.

A diferença é que o "Abricó-de-Macaco" de João Bosco já vem aberto em flor bonita, exuberante, desde o início.

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