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Cultura

'Saudade vai nos tornar melhores do que antes', diz escritor Fabrício Carpinejar

Cronista e poeta define período de quarentena como chance do ser humano 'deixar de olhar para o futuro e olhar mais para os lados'

['Saudade vai nos tornar melhores do que antes', diz escritor Fabrício Carpinejar]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 05 de Junho de 2020 ⋅ 12:16

Jornalista, cronista e escritor, Fabrício Carpinejar comentou do impacto do isolamento social e da pandemia do coronavírus na sociedade. Emocionado, ele conversou com Mário Kertész durante o Jornal da Metrópole no Ar de hoje (5) da Rádio Metrópole e falou sobre relacionamentos, sejam eles entre casais, pais e filhos, amigos e consigo mesmo. Para Carpinejar, a obra não precisou de rascunho e foi logo publicado.

"É um livro sobre saudade, foi escrito desde o primeiro dia de isolamento. Foi meu livro mais passional, mais de ouvir gente e inadiável. É um livro sem rascunho, foi escrito durante um mês e logo publicado. Não conheceu a gaveta, talvez a única que tenha conhecido seja a do meu coração que, como todo mundo, está sem futuro, sem prazo determinado para voltar, sem saber como voltar. Estamos presos não somente num lugar. Estamos presos no tempo, parados no mesmo tempo", disse o escritor.

Fabrício ainda comentou os principais aprendizados da quarentena. Segundo o poeta, é hora de "trocar as certezas pelos afetos". "Não é mais o momento de olhar para frente, é o momento de olhar para quem está ao nosso lado. Olhar mais para si do que para a rua e tentar concentrar o máximo de força para tempos que serão muito piores do que a gente pode calcular. A gente precisa se fortalecer, se abastecer e se resolver. Resolver as pendências familiares, engasgos e adiamentos. É como se a gente tivesse um tempo extra para dizer 'resolve agora sua vida sentimental, emocional e cardíaca para depois enfrentar as adversidades'", declara.

Bastante emocionado, Carpinejar falou da saudade que sente do pai e da mãe e de como faz para se lembrar dos dois em meio ao isolamento. "Estou longe dos meus pais, esses dias eu me peguei cheirando o forro da boina do meu pai. Todo cheiro da pessoa tá na boina. Eu me senti tão ridículo, idiota, cheirando a boina. Mas era o que eu tinha do pescoço dele, da testa e da cabeça dele, cheiro de vida, convivência e proximidade, abraço. Todo mundo nessa época deve estar cheirando roupas, cachecol e blusas", lembrou o jornalista. 

Carpinejar se disse otimista com o futuro pós-pandemia e de como as pessoas vão se comportar após a quarentena. "Acho que a saudade vai nos tornar melhores do que antes. Acho que a gente não vai mais abraçar sem cafungar. Não será mais um abraço, será uma possessão. A minha avó dizia que, sempre que uma criança não queria dar um abraço, 'me devolve'", acrescentou.

Confira o programa na íntegra:

 

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