Cultura

'Ele tinha uma vida voltada só para a música', diz Zuza Homem de Mello sobre João Gilberto

Jornalista e escritor prepara a primeira biografia do ícone da música brasileira, com lançamento previsto para o final do ano

['Ele tinha uma vida voltada só para a música', diz Zuza Homem de Mello sobre João Gilberto]
Foto : Reprodução

Por Juliana Rodrigues no dia 06 de Julho de 2020 ⋅ 12:53

O jornalista, musicólogo e escritor Zuza Homem de Mello prepara a primeira biografia do cantor e compositor João Gilberto, considerado um dos maiores ícones da música brasileira e falecido há exatamente um ano. Em entrevista a Mário Kertész, na Rádio Metrópole, hoje (6), Zuza falou sobre o processo de produção do livro, que deve ser lançado entre o final de 2020 e o início de 2021.

O escritor, que iniciou uma amizade com João Gilberto no final dos anos 1960, vê como "um exagero muito grande" a fama de personalidade difícil que o músico ganhou ao longo dos anos. Citando o episódio da vaia do público na inauguração casa de shows paulistana Credicard Hall (hoje chamada UnimedHall), em 1999, Zuza explicou que João não tinha grandes caprichos e que a música era o mais importante para ele.

"Há um exagero muito grande, inclusive da parte da imprensa em relação a isso. A imprensa gosta de aumentar, o superlativo para a imprensa é vantajoso, sob o ponto de vista de causar impacto e vender o jornal. Com relação às reclamações, entre aspas, não são reclamações. O que acontece é o seguinte: o som, para João Gilberto, era fundamental. Era vital. Ele não fazia questão de luxos extras, como se hospedar em hotéis grandiosos, um camarim cheio de plantas tropicais, com bebidas, champanhe importada... Nada disso. Não tinha frescura de espécie alguma. (...) No caso do João Gilberto, o aspecto fundamental era o som. Ele tinha uma voz e um violão, e nada mais. Mas era necessário absoluto silêncio para que as pessoas pudessem desfrutar do privilégio de assistir aquele que é considerado uma das maiores atrações internacionais da música no mundo inteiro. Dessa forma, a exigência dele era totalmente justificada. Ele precisava de um bom som, nada mais que isso, e tinha um ouvido muito mais apurado do que o da maioria dos técnicos de som que trabalhavam com ele. Ou seja, ele ouvia o que os caras não ouviam. Se eles não ouviam, que dirá a plateia barulhenta que estava nessa desastrosa abertura do Credicard Hall", pontuou.

Zuza ainda classificou João Gilberto como uma pessoa "simpaticíssima", "gentil" e "doce", e explicou as razões por trás da natureza "reclusa" do gênio da Bossa Nova. "Agora, ele tinha uns repentes que ninguém entendia porque cargas d'água aconteciam. Ele tinha uma vida voltada só para a música. O resto não interessava para ele. Ele queria fazer a música dele e precisava ter as condições de fazer essa música. Quando se faz mais barulho, de dia ou de noite? De dia. Por esse motivo, João Gilberto trocava o dia pela noite. A noite é silenciosa, calma. Era exatamente o que ele queria", afirmou.

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