Cultura

Eugênia Gorini deixa para trás esquecimento e enaltece legado de Pietro Bardi

Museóloga relembra diário de viagem do diretor do Museu de Arte de São Paulo (Masp)

[Eugênia Gorini deixa para trás esquecimento e enaltece legado de Pietro Bardi]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 11 de Setembro de 2020 ⋅ 13:42

A museóloga catarinense Eugênia Gorini Esmeraldo, que por 14 anos foi assistente de Pietro Maria Bardi (1900-1999), jornalista, expositor, fundador e diretor do Museu de Arte de São Paulo (Masp), conta como o diário de viagem escrito por ele em 1933 representa um exemplo da importância do comunicador para o Brasil. Ainda jovem, ele foi enviado de Nápoles, durante o governo fascista de Benito Mussolini, para organizar uma exposição de arquitetura racionalista italiana em Buenos Aires.

Eugênia conversou com Mário Kertész na manhã de hoje (11) na Rádio Metrópole e falou da tese de doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que está desenvolvendo sobre ele. "Ele está muito esquecido. Como trabalhei e conhecia um pouco da vida dele, propus ao professor Jorge Coli, da Unicamp, o que ele achava de fazer um estudo acadêmico a respeito, até para registrar alguns fatos que as pessoas não conhecem do Bardi. Comecei pensando na escrita dele. Bardi basicamente sempre se dizia um homem da comunicação. Ele se jactava de ser jornalista antes de ser qualquer coisa", afirmou a museóloga. 

Ainda de acordo com ela, há muito material a ser divulgado. "São infindáveis, ainda tem muita coisa a ser publicada e pesquisada. Hoje em dia, está tudo no Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, a instituição que criaram na residência deles. Por conta disso, parar nos escritos, acho pouco abrangente", afirma. 

Sobre Pietro Bardi, Eugênia comenta traços vistos por ela quando conviveu com o jornalista, que escolheu o Brasil para morar em 1946, a convite do empresário Assis Chateaubriand. "Bardi era um homem de cultura. Tinha cultura imensa e foi uma sorte para o Brasil ele ter escolhido morar aqui. Além do Masp, ele divulgou muito a cultura humanista que trazia consigo, além de dona Lina, paralelamente. Havia uma simbiose de pensamento muito grande entre eles. Eu percebia nos relatos e nas ocasiões que ele fazia alguns comentários que o trabalho dela também se impregnava do pensamento dele. Ele era um homem que trabalhava sempre com galerias, artes e exposições", contou. 

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