Cultura

Ícone tropicalista, Tom Zé relembra trajetória e comenta gravações raras

Em entrevista à Rádio Metrópole, cantor e compositor baiano falou sobre lançamento do álbum "Raridades", organizado pelo pesquisador e jornalista Renato Vieira

[Ícone tropicalista, Tom Zé relembra trajetória e comenta gravações raras]
Foto : Metropress

Por Juliana Rodrigues no dia 24 de Setembro de 2020 ⋅ 13:04

Catorze faixas inéditas ou pouco conhecidas do cantor e compositor baiano Tom Zé estão reunidas no álbum "Raridades", organizado pelo pesquisador e jornalista Renato Vieira. Já disponível no streaming, a coletânea é composta por músicas gravadas entre 1969 e 1976, presentes em compactos simples e projetos especiais, que foram recuperadas dos arquivos das companhias RGE e Warner, que hoje detêm os registros da Continental. Em entrevista à Rádio Metrópole, na manhã de hoje (24), o tropicalista falou sobre o projeto, destacando a qualidade do material, mesmo com a precariedade das condições técnicas.

"O Renato Vieira, mexendo nas coisas da Warner, começou a encontrar algumas canções que não foram publicadas em um CD só, que saíram aqui e acolá, em compactos. Elas eram muito bem gravadas. Eram apenas 4 canais no estúdio da Gazeta, imagine, mas o técnico sabia trabalhar com aquilo muito bem", explicou.

Na conversa com Mário Kertész e Malu Fontes, o ícone tropicalista ainda contou episódios de sua trajetória artística, como o momento em que ele conheceu Moraes Moreira e promoveu o encontro do compositor com o poeta Luís Galvão.

"Eu ensinava violão como coisa fora da Escola de Música da UFBA. Eu cobrava tão caro que só estudava comigo filho de judeu. Um dia entrou um rapaz que tinha chegado do interior com cara de pobre, como eu também era. Ele se apresentou como Moreira. Perguntei se ele podia pagar, porque eu cobrava 100 cruzeiros por mês. Ele disse que era compositor e me mostrou umas cinco ou seis músicas. Eu vi que ali dentro tinha um compositor e disse a ele que iria ensinar a ele de graça. Eu ensinava a harmonizar em vez de acompanahr a música, um método diferente, precisava de uma certa cabeça pra pensar. O que eu dava a ele, ele passava um mês trabalhando, quando ele chegava, ele sabia aquilo melhor do que eu, tocando músicas novas. Ele sempre tocou violão melhor do que eu. Em quatro aulas ele aprendeu tudo que eu sabia. Aí ele me disse que não fazia letras. Então eu disse que o Galvão, que era engenheiro agrônomo, fazia letras, e eu os apresentei", narrou.

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