
Economia
Ex-diretor-executivo do FMI critica política externa 'amadora e inepta' do governo Bolsonaro
Para Paulo Nogueira Batista Jr., posição do país em relação ao Novo Banco de Desenvolvimento, estabelecido pelos BRICS, colabora com a falta de credibilidade

Foto: Metropress
O economista Paulo Nogueira Batista Jr, ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, estabelecido pelos BRICS em Xangai, e diretor executivo no FMI pelo Brasil e mais dez países, avaliou os reflexos da política econômica do governo de Jair Bolsonaro e lamentou os retrocessos no setor em meio à pandemia de coronavírus. Ele também é autor do livro "O Brasil não cabe no quintal de ninguém: bastidores da vida de um economista brasileiro no FMI e nos BRICS e outros textos sobre nacionalismo e nosso complexo de vira-lata".
Em entrevista a Mário Kertész hoje (15), durante o Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole, ele afirmou que o banco foi um dos importantes passos para o Brasil ser admirado no restante do mundo. "Os BRICS começaram a trabalhar em conjunto desde 2008 e chegou a um certo ponto que o grau de cooperação e entendimento era tanto que resolveram criar instituições próprias em face da dificuldade de fazer avançar reformas das entidades existentes, dominadas pelo americanos e europeus. Então nós criamos um fundo monetário dos BRICs e criamos um banco do desenvolvimento, no modelo do banco mundial. Eu participei da negociação dessas entidades. Depois fui convidado a assumir a posição de primeiro vice-presidente", disse o economista.
Ainda de acordo com Nogueira, a modernidade foi um dos grande fatores de sucesso da política econômica do país em anos anteriores. "É um banco multilateral, constituído por países que aportam capitais. Com base nesse capital, o banco vai ao mercado e levanta empréstimos para tentar aumentar o seu poder de empréstimo. No caso desse banco dos BRICS, operações de longo prazo como é costumeiro. Condições atraentes para projetos ligados à infraestrutura e desenvolvimento sustentável. Um banco, essencialmente, moderno", afirmou.
Questionado por MK, Paulo Nogueira pontuou os motivos do governo de Jair Bolsonaro não ter credibilidade internacional. "Agora, com o governo Bolsonaro, o Brasil passou a atuar de maneira deletéria e deixou de fazer o pagamento previsto no convênio constitutivo do banco no tratado internacional. O Brasil, pela primeira vez desde o início do banco, tem um membro que está atrasado no seu compromisso internacional de aportar o capital integralizado do banco. É um abalo muito grande para o Brasil no banco e para a imagem do banco. Mostra que um dos seus sócio fundadores está incapaz de cumprindo com seus compromissos", disse o economista, que acrescentou. "Se insere em um quadro maior, que é a política externa do governo Bolsonaro, que é de chorar. Uma política externa amadora, inepta e que tem consequências muito mais graves para o Brasil do que essa que acabei de mencionar. Estamos pagando um preço altíssimo por ter um governo que não sabe por onde começar em matéria de economia, relações internacionais, meio ambiente e saúde pública", disse.
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