
Economia
CEO da Moura Dubeux entra na mira da CVM por venda proibida de ações
Comissão de Valores Mobiliários abriu processo contra Diego Villar por ter negociado capitais na Bolsa fora do prazo previsto por lei

Foto: Divulgação
Autarquia federal que funciona como um tipo de "xerife" do mercado de capitais brasileiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu processo contra o CEO da construtora Moura Dubeux, por negociar ações na Bolsa de Valores em período vedado pela legislação. A informação foi publicada nesta sexta-feira (13) pelo site do jornal O Globo e confirmada pelo portal Metro1.
De acordo com a CVM, o processo aberto contra Diego Villar, principal executivo da construtora que atua fortemente no Nordeste, sobretudo em Pernambuco e na Bahia, é sancionador. Em linhas gerais, significa que já possui acusação formalizada e irá a julgamento pelo colegiado da CVM. De acordo com a comissão, a empresa negociou ações em período relativo ao segundo trimestre de 2025, cujo balanço havia sido divulgado apenas em agosto
Em resposta a O Globo, a Moura Dubeux disse que tanto Villar quanto a construtora foram ainda formalmente notificados pela CVM sobre o processo, mas afirmou que, “a partir das informações publicamente disponíveis no site da CVM, acredita que as referidas negociações dizem respeito à venda de 13 mil ações recebidas pelo diretor-presidente no âmbito do ILP (incentivo de longo prazo) da companhia, que teria ocorrido durante o período de vedação à negociação aplicável aos administradores (15 dias antes da publicação das informações trimestrais)”.
“Tal negociação não ocorreu, entretanto, por um equívoco do Sr. diretor-presidente, mas sim em razão de informação equivocada transmitida pela própria companhia ao Sr. diretor-presidente quanto à contagem do prazo aplicável ao período de vedação”, acrescentou a Moura Dubeux. A empresa disse ainda que o CEO e a companhia já prestaram esclarecimentos iniciais à CVM e “aguardarão comunicação formal sobre a instauração do referido processo para tomar as demais medidas aplicáveis.”
Construtora envolvida em disputa judicial de herdeiros
Um duelo nos tribunais sobre um inventário familiar que se arrasta há mais de 16 anos no Recife levou a Moura Dubeux para um conflito que pode gerar perdas estimadas em quase R$ 1 bilhão e provocar questionamentos no mercado de capitais, segundo avaliações feitas pelo analistas do mercado financeiro
O epicentro da briga judicial é a venda de um conjunto imobiliário conhecido como Cassino Americano, localizado na capital pernambucana. O Cassino Americano faz parte de um dos maiores patrimônios privados em processo de inventário no Nordeste e teve sua alienação autorizada pela Justiça para tentar viabilizar a partilha entre herdeiros.
De acordo com o que consta no no processo, a venda conjunto, estimada em aproximadamente R$ 500 milhões, havia sido autorizada judicialmente para uma incorporadora do mercado imobiliário. No entanto, manifestações apresentadas no inventário pela Moura Dubeux e uma promessa de permuta firmada com herdeiros minoritários envolvendo parte do mesmo ativo teriam criado obstáculos para a conclusão da operação.
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