
Economia
Endividamento atinge maioria dos brasileiros e aperta orçamento das famílias, diz Datafolha
Pesquisa mostra alta inadimplência, uso frequente de crédito caro e falta de reserva financeira

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
A maioria dos brasileiros convive com algum tipo de dívida financeira, de acordo com pesquisa do Datafolha. O levantamento também indica que uma parcela relevante da população está com débitos em atraso, com maior incidência entre quem recorre a empréstimos com amigos e familiares.
Entre os principais tipos de dívida, o cartão de crédito parcelado aparece à frente, seguido por empréstimos bancários e carnês de lojas. O uso do crédito rotativo, acionado quando o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura, também é frequente entre os entrevistados.
Considerada a modalidade mais cara do mercado, essa linha tem juros elevados. Desde 2024, uma regra passou a limitar o valor total da dívida no cartão ao dobro do montante original.
"A inclusão financeira dos últimos anos e o aumento dos juros bancários acabaram elevando muito o comprometimento de renda e a própria inadimplência", afirma Isabela Tavares, economista da Tendências Consultoria.
Além das dívidas financeiras, o levantamento aponta atrasos em contas de consumo e serviços, como telefone, impostos, energia elétrica e água.
O estudo revela ainda um cenário de forte aperto no orçamento. Parte significativa dos entrevistados vive em condição financeira difícil, enquanto outro grupo expressivo relata restrições moderadas. Apenas uma minoria se considera em situação mais confortável.
Para lidar com a falta de recursos, os brasileiros têm adotado medidas de contenção de gastos. Entre as principais estão a redução de despesas com lazer, a diminuição de refeições fora de casa e a troca por produtos mais baratos. Também há cortes no consumo de serviços básicos.
Os problemas financeiros lideram as preocupações da população, reunindo temas como falta de renda, endividamento e custo de vida. Saúde, trabalho e questões pessoais aparecem em seguida.
O levantamento também indica forte dependência do crédito no dia a dia. Parte dos entrevistados afirma utilizar cartão de crédito até para despesas básicas, enquanto uma parcela admite recorrer a estratégias como pagar a fatura de um cartão com o limite de outro.
"Mas os juros começaram a subir no mesmo momento. Isso, somado aos preços em alta dos alimentos, fez as pessoas recorrerem mais a modalidades de crédito emergenciais."
Segundo Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV e professor da FGV EAESP, a ampliação da oferta de crédito também ajuda a explicar o cenário atual.
"Se a dívida está consumindo uma parcela significativa da renda, mesmo a renda tendo evoluído positivamente, isso pode significar uma queda em termos de sensação de bem-estar, que tem efeitos eleitorais. Não estamos num momento de crise de crédito, estamos num momento em que existe uma sensação de piora no bem-estar por conta do endividamento", diz Gonzalez.
A pesquisa ouviu pessoas em diferentes regiões do país e também mostra que o planejamento financeiro ainda é limitado. Parte dos brasileiros afirma não fazer qualquer controle de gastos, enquanto a maioria não possui reserva financeira.
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