Economia

Produtor só recebe R$ 0,01 de R$ 5 pagos em café, diz presidente de associação

Resultado tem levado empresas do setor a buscarem outros mercados, de acordo com presidente da Assocafé, João Lopes de Araújo

[Produtor só recebe R$ 0,01 de R$ 5 pagos em café, diz presidente de associação]
Foto : Reprodução/ Jornal Expresso

Por Juliana Almirante no dia 15 de Abril de 2019 ⋅ 07:56

O presidente da Assocafé, João Lopes de Araújo, afirmou, nesta segunda-feira (15), em entrevista à Rádio Metrópole, que o produtor de café tem baixo retorno do valor que é pago pelo consumidor para adquirir o produto. Isso tem levado empresas do setor a entrarem em crise e buscarem outros mercados. 

"De uma xícara que você paga no restaurante R$ 5, chega R$ 0,01 para o produtor", explica, um dia depois do Dia Internacional do Café, comemorado no domingo (14).

Um dos sintomas da crise foi o pedido de recuperação judicial da Terra Forte, o maior produtor do Brasil, com 18 milhões de pés. Na Bahia, dois dos maiores produtores estão erradicando café para passar para milho, soja e algodão, porque acreditam que a produção de café não anda bem.

Segundo João Lopes de Araújo, apesar do resultado, o Brasil continua o maior produtor e segundo maior consumidor de café do mundo. "Temos aumentado a produção. No ano passado, produzimos mais de 60 milhões de sacas. Estamos exportando mais do que nunca. Chegamos a três milhões de sacas por mês,  mas o preço do produtor não remunera. São coisas incompreensíveis", lamenta. 

Ele afirma que um dos motivos que explica a situação é que o preço do café no Brasil está muito atrelado à Bolsa de Nova York, que seria uma "jogatina". "Um grupo de 20 jovens mais ou menos, com um trilhão de dólares para aplicar, trocam commodities para aplicação naquele dia, ao bel prazer do que acham que deve ser o preço de mercado. E derrubam o preço do café no dia que acham deve derrubar.  A Colômbia já se revoltou contra isso e tirou o preço da Bolsa de Nova York. Nós queremos que o governo brasileiro faça isso", defende.

O presidente da associação avalia, no entanto, que o governo do presidente Jair Bolsonaro têm mostrado maior disposição para que o problema seja resolvido. "Eu acho que a gente está tendo diretriz melhor. Com o governo anterior, a gente não tinha acesso", justifica.

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