Economia

Bolsonaro 'briga com ele mesmo' e transforma pandemia em processo político, diz Delfim Netto

Ex-ministro ainda fez considerações sobre os rumos econômicos do governo, que tem como comandante o ministro da Economia, Paulo Guedes

[Bolsonaro 'briga com ele mesmo' e transforma pandemia em processo político, diz Delfim Netto]
Foto : Reprodução/TV Cultura

Por Matheus Simoni no dia 09 de Abril de 2020 ⋅ 09:07

O economista, ex-ministro da Fazenda entre 1967-1974 e escritor Antonio Delfim Netto comentou as medidas do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) para conter a crise gerada pela pandemia de coronavírus no país. Em entrevista a Mário Kertész na Rádio Metrópole hoje (9), durante o Jornal da Bahia no Ar, ele reforçou a tese de que o presidente briga com ele mesmo.

Para Delfim, Bolsonaro transforma toda crise da Covid-19 em um processo político. "O presidente tem ideias próprias e gosta de rejeitar tudo aquilo que a evidência empírica garante. É uma pena. O governo, a despeito do presidente da República, dá essa impressão de que está contra a política de Bolsonaro está exatamente na direção correta. O que me parece incrível é que ele brigue com ele mesmo e dê margem de verdade a uma grande exploração política. Estamos vivendo um momento de grandes problemas dessa infecção, mas é uma parte da história do homem, desde que ele se organizou em centros urbanos há milhares de anos", declarou o economista.

"A história registra talvez 50 ou 60 crises piores como essa, como a gripe espanhola. Faz parte do desenvolvimento do mundo. Temos que aceitá-la como um fato natural, mas o que o presidente faz é transformar em um processo político, dando margem às pessoas explorarem isso e mostrando uma contradição flagrante no que ele diz e no que ele faz. A maior surpresa é ele ficar brigando com os governadores. O governo dele está fazendo e pedindo para que os governadores façam o que estão fazendo. Os governadores fazem o que o governo Bolsonaro está pedindo", acrescentou. 

Delfim Netto ainda fez considerações sobre os rumos econômicos do governo, que tem como comandante o ministro da Economia, Paulo Guedes. Na avaliação do ex-ministro, falta ao governo federal uma articulação conjunta e uma necessidade de se fazer uma coalizão para gerir o país.

"Há coisas bastante razoáveis no plano do Paulo Guedes, mas tem coisas que nunca vão ser executadas porque é necessário ter uma maioria esmagadora no Congresso", apontou Netto.

"Quando Bolsonaro tomou posse, já tínhamos 11 milhões de desempregados. Depois do governo da Dilma, que já foi uma tragédia, Temer colocou as coisas mais ou menos em ordem. Houve uma melhoria nas condições fiscais e Guedes continuou esse programa. Mas a situação era dramática, não só da União, mas para estados e municípios, que nunca tiveram nenhum controle e nunca obedeceram lei de responsabilidade fiscal", afirma. 
 

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