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Oposição tenta adiar votação do fim da escala 6x1 para depois das eleições

Senadores bolsonaristas querem que PEC seja analisada após o segundo turno; Rogério Marinho diz que tema não deve ser votado neste momento

Oposição tenta adiar votação do fim da escala 6x1 para depois das eleições

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

Por: Metro1 no dia 07 de outubro de 2026 às 17:44

Atualizado: no dia 07 de outubro de 2026 às 17:51

A oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado tenta adiar a votação da PEC que prevê o fim da escala 6x1, prevista para a próxima semana. Senadores bolsonaristas se reuniram nesta quarta-feira (7) e decidiram pedir ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que a análise do texto ocorra somente após o resultado da eleição presidencial.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, afirmou que a oposição não se nega a discutir a jornada de trabalho no país, mas considera que o momento não é adequado. Ele, no entanto, evitou dizer como o PL pretende votar a proposta.

"Não faz bem ao país votar um assunto dessa gravidade, dessa importância e com essa repercussão da maneira que está sendo votado", disse Rogério Marinho.

Para negociar com Alcolumbre, os senadores escolheram a senadora Tereza Cristina (PP-MT) como porta-voz. Ela deverá conversar com o presidente do Senado ainda nesta quarta-feira.

Alcolumbre admite votação antes da eleição

Apesar da tentativa da oposição de adiar a análise, Alcolumbre afirmou que a PEC pode ser votada em primeiro e segundo turnos antes do desfecho da eleição presidencial, caso o plenário aprove requerimentos para acelerar a tramitação.

Segundo o presidente do Senado, atualmente não há nenhum pedido de calendário especial ou de quebra de interstício sobre a mesa. Caso algum requerimento seja apresentado, porém, ele afirmou que irá submetê-lo à votação dos senadores.

"Hoje, eu não tenho nenhum requerimento de calendário especial, hoje eu não tenho nenhum requerimento de quebra de interstício", disse.

Alcolumbre também rejeitou como "não verdadeira" a versão de que a PEC não poderia ser votada antes do segundo turno.

Sem a aprovação de um calendário especial ou da quebra dos intervalos previstos no rito, a proposta terá de cumprir as sessões de discussão exigidas antes de cada votação. Pelo procedimento regular, são cinco sessões de discussão antes do primeiro turno e outras três antes do segundo.

"O que eu tiver em mãos, se for para resumir, eu vou colocar para deliberação e o plenário é soberano, a vontade da maioria vai prevalecer", afirmou Alcolumbre.

O presidente do Senado disse ainda que os requerimentos podem ser apresentados a qualquer momento.

Debate em meio à eleição

Alcolumbre também explicou por que a PEC não foi colocada em votação antes do primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Segundo ele, senadores haviam pedido que o tema não fosse pautado naquele período para evitar que a discussão "contaminasse" o processo eleitoral e se transformasse em bandeira de campanha.

O presidente do Senado afirmou que, após o primeiro turno, colocou a proposta em pauta e que os parlamentares estão agora livres para votar.

"Cada senador e cada senadora desta legislatura terá o livre arbítrio de votar com seu coração, com sua consciência e com sua convicção se acha razoável nós diminuirmos a escala de trabalho de quase 40 milhões de brasileiros que vivem na escala 6x1 há décadas, e se acha razoável o trabalhador brasileiro ter condição de ter mais um dia na sua vida de descanso, para ficar com a família e para descansar", disse.

A PEC reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e precisa de pelo menos 49 votos para ser aprovada no Senado.

Oposição quer deixar votação para depois

Entre os pedidos da oposição está a possibilidade de realizar apenas a primeira votação da Proposta de Emenda à Constituição e deixar o segundo turno para depois das eleições.

Pelas regras do Senado, uma PEC precisa ser votada em dois turnos para ser aprovada. Após a primeira votação, há um intervalo mínimo de cinco dias úteis, além de mais três sessões de discussão antes do segundo turno.

Antes disso, a proposta precisa passar por cinco sessões de discussão no plenário. A primeira ocorreu na terça-feira (6) e a segunda está prevista para esta quarta-feira.

Caso sejam apresentadas emendas, o prazo pode ser ampliado para que as mudanças sejam analisadas pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A oposição já afirmou que pretende apresentar emendas.

Marinho disse que vai pedir o cumprimento dos prazos previstos no regimento, o que levaria a votação para depois do fim de outubro e, consequentemente, do segundo turno da eleição presidencial. O regimento, porém, permite a quebra desses prazos mediante aprovação do plenário.

Disputa em torno da PEC

Os senadores da oposição também criticaram Alcolumbre por colocar em pauta a proposta que reduz a jornada semanal de trabalho e estabelece dois dias de descanso remunerado.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou ser favorável à mudança, mas questionou a decisão de votar o texto durante o período eleitoral.

"Jogar entre o primeiro e segundo turno? Eu tenho matérias mais importantes ali na pauta", disse a senadora.

Em seguida, Damares afirmou que a inclusão da proposta na pauta teria como objetivo desgastar Flávio Bolsonaro.

Entre os governistas, a intenção é aprovar a PEC em dois turnos antes do segundo turno e evidenciar a posição de integrantes da oposição que tentem impedir ou adiar a votação.

Na terça-feira (6), Flávio Bolsonaro voltou a defender uma proposta alternativa à PEC em discussão. O texto apoiado pela oposição prevê a possibilidade de redução da jornada, mas com redução proporcional do salário.

Como ficaria a jornada

Se aprovada, a PEC prevê uma redução gradual da jornada de trabalho:

  • Em dois meses: jornada semanal de 42 horas, com dois dias de repouso semanal remunerado;
  • Após um ano: redução da jornada semanal para 40 horas.