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Campanha nas redes: conselho da Meta admite falhas que prejudicam Lula às vésperas do 2º turno
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Campanha nas redes: conselho da Meta admite falhas que prejudicam Lula às vésperas do 2º turno
Cúpula da big tech aponta problemas recorrentes na moderação de conteúdo político; campanha petista denuncia restrições no Instagram e no WhatsApp, enquanto Justiça Eleitoral exige garantias de tratamento igualitário entre os candidatos

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
O Conselho de Supervisão da Meta reconheceu, nesta terça-feira (20), a existência de falhas recorrentes na moderação de conteúdos eleitorais nas plataformas da empresa, responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp. O alerta ocorre a poucos dias do segundo turno presidencial e reforça as preocupações sobre o impacto das decisões técnicas e dos algoritmos da companhia na disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O problema tem um efeito concreto para a campanha de Lula: restrições técnicas e bloqueios indevidos já atingiram conteúdos e anúncios ligados ao presidente, limitando sua capacidade de alcançar eleitores pelas redes sociais. A campanha petista acusa a Meta de criar, na prática, condições desiguais de exposição entre os candidatos, enquanto o adversário teria sido beneficiado por mecanismos de recomendação e distribuição de conteúdo.
Segundo o Conselho de Supervisão, as falhas identificadas envolvem tanto o excesso na aplicação das regras, que pode reprimir indevidamente manifestações políticas, quanto a aplicação insuficiente das normas, que compromete a integridade eleitoral. O órgão defendeu maior transparência e coerência nos procedimentos de moderação, justamente em um período no qual a visibilidade digital pode influenciar o debate público e a formação da opinião dos eleitores.
Entre as denúncias apresentadas pela campanha de Lula está o tratamento desigual dado a conteúdos produzidos com ferramentas de inteligência artificial do WhatsApp. Segundo o PT, comandos relacionados ao presidente encontravam restrições para gerar imagens eleitorais, enquanto solicitações semelhantes envolvendo Flávio Bolsonaro apresentavam resultados diferentes. A campanha também apontou problemas na distribuição de publicações e no impulsionamento de anúncios.
A Meta admitiu falhas, incluindo a desativação indevida de anúncios da campanha petista, mas atribuiu os episódios a problemas técnicos e incidentes que, segundo a empresa, não se limitaram ao Brasil. A companhia nega favorecer deliberadamente qualquer candidatura. A justificativa, porém, não elimina a necessidade de esclarecer por que os erros ocorreram, quais conteúdos foram afetados e se houve diferenças concretas no alcance das duas campanhas.
Justiça e Lula intensificam cerco à dona do Instagram e WhatsApp
A gravidade do caso levou a Justiça Eleitoral a cobrar explicações da empresa. O ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a Meta apresentasse informações sobre os mecanismos de recomendação, o alcance dos anúncios das candidaturas e as medidas adotadas para assegurar tratamento igualitário. A decisão prevê multa diária de até R$ 1 milhão em caso de descumprimento das determinações, conforme o despacho divulgado.
Para Lula, o risco vai além da retirada isolada de uma publicação: envolve a possibilidade de perder alcance e capacidade de comunicação com o eleitorado em uma fase decisiva da campanha, enquanto conteúdos do adversário circulam pelas mesmas plataformas. Em uma eleição disputada, diferenças de distribuição podem produzir consequências políticas relevantes, embora a extensão do eventual prejuízo ainda dependa de dados completos sobre alcance, recomendações, anúncios e restrições aplicadas a cada candidatura.
O reconhecimento das falhas pelo Conselho de Supervisão aumenta a pressão por respostas da Meta. O ponto central agora é verificar se a empresa aplicou os mesmos critérios às duas campanhas e se os problemas que atingiram Lula foram corrigidos de maneira suficiente e tempestiva. Sem transparência sobre os mecanismos de distribuição e moderação, permanece o risco de que falhas de uma plataforma privada interfiram na igualdade de condições entre candidatos e no próprio processo democrático.
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