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Em carta, bispos católicos alertam para ameaças à democracia em candidatura de Flávio Bolsonaro

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Em carta, bispos católicos alertam para ameaças à democracia em candidatura de Flávio Bolsonaro

Documento assinado por 36 religiosos critica posições atribuídas ao senador sobre direitos trabalhistas, soberania nacional e meio ambiente e convoca fiéis a votar no domingo (25)

Em carta, bispos católicos alertam para ameaças à democracia em candidatura de Flávio Bolsonaro

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Por: Metro1 no dia 23 de outubro de 2026 às 10:11

Atualizado: no dia 23 de outubro de 2026 às 10:19

Um grupo de 36 bispos católicos divulgou, nesta quinta-feira (22), uma carta com críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. O documento convoca os fiéis a votar no segundo turno, marcado para domingo (25), em defesa da democracia, dos pobres e dos valores humanitários.

Sem citar nominalmente os candidatos, os religiosos afirmam que uma das candidaturas ameaça a democracia, a soberania nacional e o bem comum. Em contrapartida, apontam que a outra opção tem histórico de responsabilidade com a população mais pobre e respeito à Constituição.

“Não podemos nos manter neutros, a fim de que nossa consciência ou a história não nos condenem no futuro”, afirmam na carta intitulada “Carta de bispos católicos ao povo de Deus diante do segundo turno das eleições presidenciais de 2026”.

O documento reúne assinaturas de religiosos de diferentes regiões do país e foi divulgado um dia após uma mensagem do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ao povo brasileiro. Os signatários afirmam estar em comunhão com a entidade e defendem que os eleitores considerem os princípios da doutrina social da Igreja Católica.

Entre os signatários estão dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho (RO), dom Vicente de Paula Ferreira, bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA), e dom Zanoni Demettino Castro, arcebispo de Feira de Santana (BA).

Críticas ao trabalho e à economia

Na área trabalhista, os bispos criticam a oposição de Flávio ao fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias e folga um, e a proposta de pagamento por hora trabalhada. Segundo a carta, essas posições desconsideram a dignidade dos trabalhadores e o direito a uma remuneração suficiente. Após pressão popular, o senador votou a favor do texto sobre o fim da escala, mas aliados defendem revogar a medida em um eventual governo.

Soberania nacional e meio ambiente

Na política externa, os religiosos criticam o que consideram uma postura de submissão aos Estados Unidos. O texto menciona o apoio atribuído ao senador à interferência estrangeira nas eleições brasileiras, a proposta de permitir a exploração de terras raras por empresas norte-americanas e a articulação para impor tarifas sobre produtos brasileiros.

Os bispos também contestam posições atribuídas ao candidato sobre programas sociais, acesso a armas e meio ambiente. Segundo eles, o partido de Flávio historicamente se opõe a políticas de combate à pobreza, defende a ampliação do acesso a armamentos e nega a crise climática.

Outro ponto de crítica é a defesa da tortura. A carta menciona homenagens feitas por integrantes da família Bolsonaro ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pela Justiça como torturador durante a Ditadura Militar.

Democracia e doutrina católica

Os religiosos lembram que Jair Bolsonaro, pai do senador, foi condenado por atentar contra a ordem democrática. Também mencionam declarações de Flávio que, na avaliação dos signatários, ameaçam a ordem constitucional.

“Uma das candidaturas ameaça frontalmente diversos pontos centrais da DSI [doutrina social da Igreja], a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum”, diz a carta.

O documento cita o papa Leão XIV, encíclicas e outros textos católicos para justificar a manifestação política. Os bispos afirmam que a insatisfação com o governo atual não deve ser motivo para apoiar uma candidatura que, na avaliação deles, contraria os ensinamentos da Igreja.

“Gostar ou não do atual Governo não pode ser razão para entregar o país nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa Igreja”, afirmam.

Ao final, os religiosos convocam os católicos a participar da votação no domingo (25). “Conclamamos a todos os católicos para que não deixem de exercer seu direito e votem no dia 25 de outubro, em defesa da democracia, dos valores humanitários, dos pobres e dos ensinamentos de nossa Igreja”, concluem.