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Rodoviário denuncia ordem para manter ônibus parados e com adesivos do PT em garagens de Salvador

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Rodoviário denuncia ordem para manter ônibus parados e com adesivos do PT em garagens de Salvador

Motorista afirma que mais de 100 coletivos foram impedidos de circular no segundo turno; Justiça Eleitoral determinou a retomada integral da frota e a prisão em flagrante do secretário de Mobilidade

Rodoviário denuncia ordem para manter ônibus parados e com adesivos do PT em garagens de Salvador

Foto: Reprodução

Por: Metro1 no dia 25 de outubro de 2026 às 19:50

Atualizado: no dia 25 de outubro de 2026 às 19:53

Um motorista rodoviário de Salvador denunciou que trabalhadores receberam ordens para manter ônibus parados nas garagens durante o segundo turno das eleições presidenciais, neste domingo (25). Em entrevista ao ICL Notícias, sob condição de anonimato, ele afirmou que veículos com adesivos do número 13, associado ao PT, foram impedidos de circular e que os funcionários também não poderiam retirar o material.

“Hoje a gente foi surpreendido quando chegou na garagem com algumas informações sobre alguns carros que estavam com adesivo com o número 13. Eles não poderiam ir para a rua e também o adesivo não poderia ser retirado”, relatou.

Segundo o trabalhador, a orientação partiu da Prefeitura de Salvador, administrada por Bruno Reis (União Brasil), e atingiu diferentes garagens, incluindo operações do sistema Integra e do BRT. Ele estima que mais de 100 ônibus tenham sido impedidos de sair, número superior aos cerca de 75 veículos cuja retenção foi reconhecida pela gestão municipal.

“Algumas garagens, não foi uma só. Foram algumas garagens, tanto da Integra quanto do BRT também teve situações”, afirmou.

O motorista disse ainda que a redução da frota prejudicou diferentes regiões da capital baiana. “A cidade toda foi afetada no geral, porque teve vários carros que não puderam sair da garagem”, declarou. Ao descrever como se sentiu diante da situação, resumiu: “Oprimido”.

Justiça Eleitoral determina prisão de secretário

A retenção dos coletivos provocou filas e aglomerações em pontos de ônibus de bairros como Lobato, Plataforma, Calçada, São Rafael, Mussurunga e Brotas. A prefeitura havia anunciado gratuidade no transporte público e circulação integral da frota durante a votação.

Após uma ação da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman Szporer, determinou o restabelecimento imediato de toda a frota, com frequência equivalente à dos dias úteis.

A decisão também ordenou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, e estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento. A administração municipal recebeu prazo de uma hora, a partir da notificação, para comprovar a normalização do serviço.

Durante fiscalizações, o Procon-BA encontrou ônibus estacionados em garagens da capital. Uma inspeção na sede do BRT, na Avenida Barros Reis, também identificou veículos parados. Conforme informações registradas no processo, um supervisor atribuiu a redução da frota a uma orientação da Secretaria Municipal de Mobilidade.

Prefeitura atribui retenção a adesivos eleitorais

A Prefeitura de Salvador afirmou que o atraso ocorreu porque ônibus foram adesivados com propaganda eleitoral do PT, supostamente colocada por integrantes do sindicato dos rodoviários.

Em contato anterior com o ICL Notícias, o secretário Pablo Souza atribuiu a demora na liberação dos veículos a dificuldades burocráticas para retirar os adesivos. Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade informou que o serviço foi normalizado após diálogo com equipes de operação e entidades sindicais. Ao portal Aratu On, Souza negou ter agido de má-fé.

O relato do rodoviário, no entanto, aponta que os funcionários receberam orientação tanto para manter os coletivos nas garagens quanto para não retirar os adesivos.

Salvador teve maioria de votos para Lula no primeiro turno

O episódio ocorreu após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obter 65,26% dos votos em Salvador no primeiro turno, contra 27,03% de Flávio Bolsonaro (PL). O petista venceu nas 19 zonas eleitorais da capital baiana.

O prefeito Bruno Reis integra o grupo político de ACM Neto, que declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno.

Representantes do PT acusaram a administração municipal de dificultar o deslocamento dos eleitores e favorecer a abstenção. A prefeitura atribuiu os atrasos à presença de propaganda eleitoral nos ônibus.

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