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Flávio Bolsonaro deixa o Brasil com esposa e filhas e deve pedir asilo político nos EUA

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Flávio Bolsonaro deixa o Brasil com esposa e filhas e deve pedir asilo político nos EUA

Viagem teria sido organizada às pressas com ajuda de aliados; senador descumpriu prazo para entregar passaportes à Polícia Federal

Flávio Bolsonaro deixa o Brasil com esposa e filhas e deve pedir asilo político nos EUA

Foto: Charles Viera

Por: Metro1 no dia 27 de outubro de 2026 às 13:52

Atualizado: no dia 27 de outubro de 2026 às 15:48

Derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos com a esposa e as duas filhas, segundo informações publicadas pelo Metrópoles nesta terça-feira (27). A informação também foi confirmada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) à coluna.

Uma fonte do governo dos Estados Unidos confirmou à agência Reuters nesta terça-feira que Flávio está a caminho do país. A agência não confirmou com quem o senador viajou, mas apurou que as duas filhas do parlamentar não compareceram às escolas onde estudam, em Brasília, nesta terça-feira. Segundo a CNN Brasil, aliados relataram que a saída do senador ocorreu por medo de ser preso após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a retenção de seus passaportes.

De acordo com a coluna Igor Gadelha, a viagem foi organizada de última hora, com a ajuda de um grupo restrito de aliados no Brasil e nos Estados Unidos, para evitar vazamentos. Enquanto apoiadores brasileiros teriam ajudado a viabilizar a saída do senador, aliados que vivem em território americano atuaram para facilitar sua entrada no país.

A previsão informada por aliados era de que Flávio chegasse à Flórida na tarde desta terça-feira. Segundo a coluna, o governo do presidente Donald Trump já havia sido avisado sobre a viagem. Ainda conforme a publicação, o senador pretende solicitar asilo político ao governo norte-americano assim que chegar aos Estados Unidos. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), irmão do senador, tem previsão de encontrá-lo na Flórida na quarta-feira (28).

Flávio estava sem responder a aliados desde a manhã desta terça-feira. A última mensagem havia sido enviada às 8h ao senador Rogério Marinho, ex-coordenador de sua campanha presidencial. Na ocasião, disse que estava “esfriando a cabeça”, mas não esclareceu se havia deixado o Brasil.

Mais cedo, o governo brasileiro acionou autoridades argentinas para verificar se Flávio havia entrado no país vizinho. O site argentino Infobae publicou nesta terça-feira que o senador teria cruzado a fronteira entre Brasil e Argentina em um voo privado.

Na segunda-feira (26), Moraes determinou que Flávio entregasse os passaportes à Polícia Federal até as 11h desta terça-feira. O senador descumpriu o prazo e, algumas horas depois, a corporação cancelou os passaportes comum e diplomático dele em seu sistema.

Aliados aconselharam senador a não deixar o país

Flávio foi aconselhado por aliados a permanecer no Brasil durante uma reunião realizada na tarde de segunda-feira (26), no escritório de um de seus advogados, no Lago Sul, em Brasília. O encontro reuniu os principais nomes de sua campanha e marcou a última vez que o senador falou com a maioria deles.

Segundo relatos à CNN Brasil, Flávio demonstrou irritação com a determinação de Moraes. Aliados moderados avaliavam que uma eventual prisão do senador logo após a eleição poderia prejudicar a imagem de Lula no exterior e, por isso, acreditavam que nenhuma medida seria tomada contra ele.

Os interlocutores também defenderam que Flávio não pedisse a anulação da votação. A orientação era concentrar a estratégia jurídica em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) por abuso de poder econômico.

Durante a reunião, o senador foi orientado a gravar um vídeo sobre a intimação da Polícia Federal após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.

“Hoje de manhã, fui visitar meu pai, como vocês sabem ele está em prisão domiciliar. E quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele, no meio da rua, fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país”, afirmou Flávio na gravação, publicada nas redes sociais na tarde de segunda-feira.

No vídeo, o senador também declarou que pretendia organizar a oposição. “Para resistir ao caos, eu vou organizar a oposição. A gente fez a maioria no Senado e na Câmara. Foi uma vitória que vocês deram para o Brasil”, disse.

Apesar da derrota presidencial, o PL saiu fortalecido das eleições para o Congresso e os governos estaduais. O partido elegeu 121 deputados federais, terá uma bancada de 28 senadores a partir de 2027 e comandará seis estados.

Investigações

Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos da Polícia Federal.

Uma das investigações apura o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, com recursos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A PF investiga o destino do dinheiro e se parte dos valores foi utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O segundo inquérito apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz, amigo do senador, por meio de empresas de apostas e plataformas de pagamento. Entre os pontos investigados estão o acesso a uma conta de uma empresa ligada ao advogado e o custeio de viagens.

Flávio nega irregularidades e afirma manter apenas uma relação de amizade com Willer Tomaz, que também contesta as suspeitas. O senador ficará sem mandato a partir de fevereiro de 2027, após 24 anos ocupando cargos eletivos.