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E-mails mostram interferência da CBF em decisões do STJD

E-mails trocados entre membros da cúpula do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mostram uma interferência da entidade em decisões do tribunal. A interferência serviria para favorecer interesses da CBF em votações. [Leia mais...]

[E-mails mostram interferência da CBF em decisões do STJD]
Foto : Divulgação / Daniela Lameiras - STJD

Por Pedro Sento Sé e ESPN no dia 30 de Março de 2016 ⋅ 10:34

E-mails trocados entre membros da cúpula do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mostram uma interferência da entidade em decisões do tribunal. Segundo publicação do site ESPN.com.br, a interferência serviria para favorecer interesses da CBF em votações.

O material foi apreendido pela Polícia Federal e encaminhado para a CPI do Futebol, presidida pelo senador Romário (PSB-RJ). Dentre as provas obtidas pela PF, há o exemplo de um caso envolvendo o Atlético (MG). A torcida do time mineiro, levou cartazes que ironizavam a CBF e o Fluminense. Na ocasião, o procurador do STJD, Paulo Schmitt escreveu: “Iremos denunciar com vistas a interdição do estádio do mandante (...) Uma coisa é certa: não vamos nos intimidar por opinião de parte da imprensa, blogueiros, esculhambadores de plantão". Isso foi redigido em resposta a Carlos Eugênio Lopes, diretor-jurídico da CBF e para Marco Polo Del Nero, atualmente presidente licenciado da CBF e vice, na época. 

Depois da 1ª Cãmara Disciplinar ter inocentado Atlético (MG), Schmitt se indignou com Washington Rodrigues, relator do caso, que segundo ele não atendeu as demandas da CBF, mesmo tendo alertado “sobre a repúdia da CBF”. Por conta disso, em outra ocasião, dirigentes da CBF conversam sobre uma possibilidade de retirar Rodrigues de decisões pois ele “faria mal ao esporte”.

"Vamos ver uma forma de anular pq ele faz mal ao esporte, a meu ver...", teria escrito Schmitt a Del Nero, que respondeu: "Esse auditor já teve graves problemas no TJD-SP e foi obrigado a sair. Sua indicação veio do Sindicato, por mim nunca estaria conosco".

A publicação cita que nem Del Nero nem o STJD responderam aos questionamentos. Já Paulo Schmitt respondeu que a Procuradoria cumpre o seu dever na denúncias e aplicação de recursos e ações. 

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