
Esportes
Governo analisa auxílio para jogadoras da Seleção Feminina que fizeram história em 1988
Conhecidas como as “pioneiras” do futebol feminino no país, a equipe que representou o país marcou um momento histórico para o esporte

Foto: Acervo Suzana Cavalheiro/Museu do Futebol
Em 1988, a Seleção Feminina de Futebol Brasileira viajou para a China para disputar o primeiro torneio oficial de futebol entre seleções femininas organizado pela FIFA. De 1º de junho a 12 de janeiro, as atletas fizeram história ao conquistar o terceiro lugar, após vencerem a equipe anfitriã em uma partida considerada, pela imprensa presente, como a melhor do torneio.
Nesse contexto, o Ministério do Esporte propôs ao governo federal a criação de um auxílio mensal às jogadoras que integraram a primeira delegação brasileira a participar do torneio. A proposta é assinada pelo ministro André Fufuca e está em análise na Casa Civil. Caso seja aprovada pelo governo, o texto será encaminhado ao Congresso Nacional, responsável por analisar e aprovar o projeto.
A proposta
O projeto prevê o pagamento de uma complementação de renda destinada a atletas consideradas “sem recursos ou com recursos limitados”. O objetivo é elevar os rendimentos mensais das ex-jogadoras beneficiadas até o teto da Previdência Social, que atualmente é de R$ 8.475,55.
O valor do benefício vai ser definido de forma individual, levando em conta a situação financeira de cada atleta contemplada. De acordo com o Ministério do Esporte, a estimativa é de que até 18 ex-atletas, classificadas como “pioneiras”, possam ter direito ao auxílio.
Além da complementação mensal, o projeto também prevê o pagamento de um prêmio em parcela única no valor de R$ 200 mil para cada jogadora. Segundo a proposta, esse montante será concedido com isenção de Imposto de Renda.
As pioneiras
Em um período em que o futebol feminino ainda buscava reconhecimento, nove anos após o Brasil permitir oficialmente a prática por mulheres, a equipe que representou o país marcou um momento histórico para o esporte e para a luta das mulheres por espaço no futebol.
As integrantes convocadas para compor a seleção brasileira feminina em 1988 foram as goleiras Lica Laurentino e Simone Carneiro; as laterais Marisa Pires Nogueira, Rosilane Fanta e Suzana Cavalheiro; as zagueiras Elane Rego, Suzy Bittencourt e Sandra Duarte; as meias Lúcia Feitosa, Marilza Pelezinha, Marcinha Honório, Fia Paulista, Márcia Russa e Sissi Lima; e as atacantes Lucilene Cebola, Roseli de Belo, Michael Jackson e Flordelis Oliveira.
O Ministério do Esporte trabalha para aprovar o texto antes da Copa do Mundo FIFA de Futebol Feminino de 2027, que será realizada no Brasil.
Copa do mundo 2027
E por falar nela, o Brasil vai sediar a Copa do Mundo Feminina da FIFA pela primeira vez, durante os dias 24 de junho e 25 de julho de 2027, tornando-se também o primeiro país sul-americano a receber o torneio.
Torneio que, em 2027, será a décima edição, com 32 seleções competindo pelo título. Desde a primeira edição, a competição é realizada a cada quatro anos desde a primeira edição, a Copa do Mundo Feminina da FIFA China 1991, na qual os Estados Unidos derrotaram a Noruega na final.
O torneio de 1991, foi aprovado após a repercussão positiva do Torneio Experimental de 1988. Desde então, o torneio teve sete países diferentes como sede e cinco seleções foram coroadas campeãs: Estados Unidos (4x), Alemanha (2x), Noruega, Japão e Espanha.
Mulheres já foram proibidas de jogar
As brasileiras passaram cerca de 40 anos proibidas de jogar futebol, entre 1941 e o início dos anos 80. Foi na ditadura do Estado Novo (1937-1945), que Getúlio Vargas assinou um decreto-lei tirando das mulheres o direito de praticar esportes “incompatíveis com as condições de sua natureza”. O veto levou ao cancelamento de vários jogos femininos, inclusive, encerrados à força pela polícia.
A presença da seleção no torneio da China em 1988 representou um marco para a retomada da prática do esporte por mulheres no Brasil, já que estar em campo livremente só foi possível no fim da ditadura militar (1964-1985). E só em 1983, que o Conselho Nacional de Desportos (CND) considerou o futebol feminino aceitável e o regulamentou.
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