
Esportes
Uefa reage a plano da Fifa e diz que futebol não pode virar negócio financeiro
Federação critica criação de empresa de US$ 20 bilhões e venda de participação a investidores privados

Foto: Instagram/UEFA
A União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) emitiu um novo posicionamento nesta quarta-feira (29) após se mostrar insatisfeita com o plano da Federação Internacional de Futebol (Fifa) para atrair investidores privados. A entidade europeia declarou que a organização máxima do futebol mundial “não pode usar nosso esporte para continuar enriquecendo a si própria e seus aliados”.
“A essência e a gestão do futebol não são bens a serem comercializados, especialmente sem qualquer transparência quanto a quem lucra financeiramente com isso”, diz o texto.
A Uefa já havia se posicionado na terça-feira (28), afirmando que o projeto “ultrapassa uma linha que as instituições do futebol jamais deveriam cruzar”. Na ocasião, a federação destacou que “a alma e a governança do futebol não são ativos para negociação. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo”.
A reação ganhou força quando a Federação Inglesa, a Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) se juntaram publicamente à Uefa, aumentando a pressão política sobre a gestão da Fifa.
O projeto da Fifa é de criar a “Fifa Forward Enterprise” (FFE), uma subsidiária avaliada em 20 bilhões de dólares para administrar os eventos da federação, incluindo a Copa do Mundo. Até 20% da empresa será vendido para investidores externos. Entre os investidores, estão Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Confira a nota na íntegra:
Ficámos hoje a saber que a FIFA estabeleceu um prazo para que as federações apoiem as suas propostas, sob pena de retirada da oferta de pagamento único. Isto diz tudo o que é preciso saber sobre este plano.
No entanto, após ter mantido conversações com muitas partes interessadas de todo o mundo do futebol, a UEFA sabe que existe uma oposição significativa e crescente ao plano da FIFA. A FIFA não pode continuar a usar o nosso desporto para se enriquecer a si própria e aos seus amigos. Nós podemos fazer o futebol crescer da forma correcta. É hora de dar prioridade às federações, aos clubes, às ligas, aos jogadores e aos adeptos.
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