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Uefa diz ter perdido confiança em Infantino após Fifa desistir de plano comercial

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Uefa diz ter perdido confiança em Infantino após Fifa desistir de plano comercial

Entidade europeia classificou recuo da Fifa como uma vitória para o futebol, mas cobrou mais transparência e criticou a condução do projeto que previa arrecadar até US$ 4,2 bilhões

Uefa diz ter perdido confiança em Infantino após Fifa desistir de plano comercial

Foto: Divulgação/UEFA

Por: Metro1 no dia 01 de agosto de 2026 às 15:32

A Uefa afirmou neste sábado (1º) que a confiança em Gianni Infantino, presidente da Fifa, foi abalada após a entidade desistir de um projeto que previa a venda de uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo. A proposta gerou forte reação entre as confederações continentais, que alegaram não ter sido consultadas sobre a iniciativa.

O plano apresentado pela Fifa previa a captação de até US$ 4,2 bilhões por meio da negociação de aproximadamente 20% de participação com investidores privados. O acordo estaria relacionado a uma nova unidade destinada à organização e exploração comercial de eventos da entidade, incluindo a Copa do Mundo.

A repercussão negativa levou a Fifa a abandonar rapidamente a proposta. Para a Uefa, porém, o episódio revelou problemas na forma como decisões de grande impacto para o futebol mundial vêm sendo conduzidas.

Em comunicado, a entidade europeia afirmou que a retirada do projeto representa uma "vitória para todo o futebol", mas ressaltou que ainda será necessário reconstruir a relação de confiança com a direção da Fifa.

Segundo a Uefa, a perda de credibilidade não se restringe à entidade europeia e também alcança outros integrantes da comunidade internacional do futebol.

A confederação criticou ainda a elaboração de projetos sem transparência e cobrou a identificação dos responsáveis pela proposta. A entidade afirmou que não é aceitável que iniciativas dessa dimensão sejam conduzidas de maneira acelerada e sem ampla discussão com as partes envolvidas.

Uefa critica falta de transparência

A reação da Uefa também recuperou declarações feitas por Infantino durante sua eleição para a presidência da Fifa, em 2016. Na ocasião, o dirigente teria prometido atuar com transparência e afirmou que os recursos da entidade pertenciam às associações nacionais.

Para a confederação europeia, essas promessas não foram cumpridas. A Uefa também questionou a forma como os recursos da Fifa são administrados e defendeu mudanças no modelo de distribuição de verbas destinado ao desenvolvimento do futebol.

A entidade informou que pretende iniciar conversas com parceiros e representantes de diferentes setores do esporte para discutir uma nova proposta de distribuição de recursos dentro do programa Fifa Forward.

A Fifa e Gianni Infantino não se manifestaram sobre as críticas apresentadas pela Uefa.

Confederações cobram diálogo com a Fifa

O projeto havia sido anunciado na terça-feira (28) e provocou uma reação imediata entre as confederações regionais. As entidades demonstraram insatisfação por não terem participado das discussões sobre uma medida que poderia modificar a estrutura comercial do futebol internacional.

Após a repercussão negativa, Infantino informou que a Fifa decidiu abandonar a iniciativa depois de ouvir as manifestações contrárias à proposta.

O presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), xeique Salman bin Ebrahim Al-Khalifa, considerou positiva a decisão. O dirigente defendeu que futuras iniciativas com potencial de impacto global sejam apresentadas previamente às confederações, ao Conselho da Fifa, às associações-membro e aos demais envolvidos.

Para ele, decisões sobre o futuro do futebol devem ser tomadas a partir de diálogo, consultas adequadas e respeito às estruturas de governança da modalidade.

O presidente da Football Australia, Anter Isaac, também defendeu a necessidade de inovação, mas ressaltou que mudanças precisam preservar princípios como integridade, independência, transparência, boa governança e participação efetiva das partes interessadas.