Quarta-feira, 05 de agosto de 2026

Faça parte do canal da Metropole no WhatsApp

Home

/

Notícias

/

Esportes

/

Em apoio ao Vitória, FBF vai ao Cade contra privilégios do Atlético Mineiro na nova liga

Esportes

Em apoio ao Vitória, FBF vai ao Cade contra privilégios do Atlético Mineiro na nova liga

Federação Bahiana de Futebol pede que órgão do Ministério da Fazenda obrigue a Sports Media a descontar do time de Minas a mesma parcela que retém do Rubro-Negro relativa aos direitos de transmissão de jogos da Série A

Em apoio ao Vitória, FBF vai ao Cade contra privilégios do Atlético Mineiro na nova liga

Foto: Divulgação/GOVBR

Por: Jairo Costa Jr. no dia 03 de agosto de 2026 às 23:44

Após o presidente do Vitória, Fábio Mota, acusar a liga Futebol Forte União (FFU) de privilegiar o Atlético Mineiro no acordo financeiro com a Sports Media Entertainment (SME) relativo aos direitos de transmissão e publicidade de 12 clubes que integram a Série A do Brasileirão, a Federação Bahiana de Futebol (FBF) ingressou nesta segunda-feira (3) com um pedido no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para que o órgão impeça a FFU de manter tratamento considerado desigual para o Rubro-Negro. Conforme noticiado pelo portal Metro1, Mota criticou publicamente a liga de descontar parte do valor antecipado ao time em 2025, mas liberar a equipe de Minas Gerais de realizar o mesmo pagamento previsto em contrato.

A SME é a principal investidora da FFU e, no ano passado, repassou R$ 68,2 milhões ao Vitória em troca de 15% das receitas futuras do clube relacionadas à transmissão e publicidade durante os jogos televisionados. De acordo com Mota, o problema está no fato de que o Atlético, concorrente direto do Leão na tabela do Campeonato Brasileiro, não vem sofrendo os descontos devidos por ele. Para a FBF, a prática afeta o time baiano e beneficia o Galo Mineiro.  

"A matéria discutida não diz respeito apenas a direitos individuais de determinados clubes, mas ao funcionamento concorrencial de um mercado cuja estabilidade interessa a toda a coletividade esportiva. Eventuais práticas capazes de conferir vantagens econômicas seletivas entre clubes que disputam as mesmas competições possuem potencial para afetar a isonomia esportiva, a integridade das competições e a livre concorrência", destacou a federação baiana, em manifestação protocolada junto ao Cade, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda responsável por combater abusos de poder econômico.

Desde o início da temporada de 2026, segundo apurou o Metro1, o percentual de 15% devido pelo Vitória à SME vem sendo descontado na origem, antes de ingressar no caixa do clube. O montante repassado pelo Rubro-Negro já soma aproximadamente R$ 15 milhões este ano. Em contrapartida, o Atlético Mineiro, que cedeu fatia idêntica, não teve qualquer retenção de valores, embora o contrato com os dois times sejam iguais.

"A Sports Media é, a um só tempo, cocontratante de dezenas de clubes que disputam o mesmo campeonato e detentora de posição de governança no arranjo. Ao definir de quem retém e de quem não retém, ela determina, de fora da disputa esportiva, quanto de receita cada concorrente terá disponível na temporada", argumentou a FBF, para quem a adoção de dois pesos e duas medidas no negócio referente aos direitos de transmissão provoca desequilíbrio injusto entre adversários diretos na mesma competição. 
  
No pedido ao Cade, a federação solicita que o órgão assegure tratamento igualitário aos times da nova liga, obrigando a SME a reter os repasses devidos pelo Atlético Mineiro e por quaisquer outros clubes que disputam a Série A, sob pena de multa diária R$ 250 mil em caso de descumprimento. Requer ainda que as equipes da FFU tenham o direito de deixar a entidade caso se sintam prejudicadas pelo que o Vitória classifica de prática desigual.  

Dissidência no futebol
Criada em 2022, a FFU é composta por clubes que romperam com outra liga do futebol brasileiro, a Libra, por insatisfações relativas aos repasses sobre os direitos de transmissão. Fora Vitória e Atlético Mineiro, que só terão o ingresso formalizado em 2030, outros dez times migraram para a FFU no segundo semestre do ano passado: Corinthians, Fluminense, Cruzeiro, Botafogo, Internacional, Vasco, Athletico Paranaense, Coritiba, Mirassol e Chapecoense.