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Líderes de federações citam falta de apoio, mas ficam no cargo por décadas

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Líderes de federações citam falta de apoio, mas ficam no cargo por décadas

Parece que os cinco mandatos de Marcelo Nilo (PSL) à frente da Assembleia Legislativa da Bahia são inspiração para a maioria dos presidentes das federações esportivas da Bahia. Entidades importantes como a Federação Bahiana de Futebol (FBF), a Federação Bahiana de Atletismo e a Federação de Automobilismo da Bahia [Leia mais...]

Líderes de federações citam falta de apoio, mas ficam no cargo por décadas

Foto: Sarah Kirley/divulgação

Por: Matheus Morais no dia 10 de novembro de 2016 às 06:00

Parece que os cinco mandatos de Marcelo Nilo (PSL) à frente da Assembleia Legislativa da Bahia são inspiração para a maioria dos presidentes das federações esportivas da Bahia.  Entidades importantes como a Federação Bahiana de Futebol (FBF), a Federação Bahiana de Atletismo e a Federação de Automobilismo da Bahia são comandadas há mais de dez anos pelos mesmos mandatários, que sempre reclamam da falta de apoio, incentivos e investimentos financeiros, mas não largam o osso. 

Um dos exemplos mais marcantes é o do presidente da FBF, Ednaldo Rodrigues. Há 14 anos no comando, o dirigente controla clubes e ligas do interior e não tem oposição dentro da entidade. Prova disso é que em 2014 – quando foi reeleito para o cargo, que ocupará até 2019, totalizando 18 anos no poder – não teve concorrentes. Pra piorar, no fim de seu mandato, Ednaldo poderá ser eleito novamente, já que o estatuto da entidade permite “reeleição, indefinidamente”.

Apesar da permanência no poder, presidentes dizem fechar “no vermelho”
O presidente da Federação Bahiana de Karatê, Antonio Negreiros, diz que o orçamento mensal da entidade vai de R$ 3 mil a R$ 7 mil. “Tem mês que fecho no vermelho. A Confederação não repassa nada para a gente, já que também sobrevive da taxa dos afiliados. Não vivo de karatê, sou aposentado e empresário”, disse. 
Orlando Schmidt, presidente da Federação Bahiana de Ciclismo há 11 anos, recebe um repasse anual da Confederação Brasileira de Ciclismo de R$ 12 mil: “R$ 1 mil por mês. O resto a gente complementa com eventos, inscrições e associados. Só o aluguel da sala e o condomínio custam R$ 1 mil por mês”.

Demos ‘incerta’ no palácio e não achamos quase ninguém
Na tarde da última terça (9), a reportagem da Metrópole esteve no Palácio dos Esportes, onde funcionam as sedes das federações, e a maioria delas estava fechada ou os presidentes não estavam no local. O presidente da Federação Bahiana de Futebol estava numa reunião externa e o da Federação de Desportos Aquáticos estava viajando. 
Já a Federação de Vôlei estava fechada, bem como as de Judô, Handebol, Ginástica – que só funciona nas segundas, quartas e sextas — e a de Capoeira. Na ‘incerta’ que demos, a reportagem só conseguiu achar o presidente da Federação Bahiana de Karatê. 

Secretário de esportes fala e não diz nada

Questionado sobre a importância da alternância do poder nas federações, o secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda, Esporte e Lazer (Setre), Álvaro Gomes, desconversou, numa resposta genérica. 
“Cada federação deve estimular o esporte da melhor forma possível, e, evidentemente, os associados devem estimular sempre o fortalecimento da instituição e isso passa pela transparência, pela democracia e pelo desenvolvimento de atividades que estimulem o esporte”, disse, sem dizer nada. 

No automobilismo, mudança

Com mandato até 2018 na Federação de Automobilismo da Bahia, Selma Morais afirmou que já cumpriu seu papel à frente da entidade e que pretende deixar  o cargo — o que já fez extraoficialmente. 
“Eu entreguei o cargo há dois anos e ninguém quis assumir, então fiz um acordo de que não mexeria mais na parte administrativa. Desde aquele tempo, eu só trabalho politicamente na federação”, declarou.