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'Queremos ser uma comunidade', diz presidente do Bahia sobre campanhas

Tricolor adicionou a cor preta no uniforme, em alusão às manchas de óleo que atingem o litoral nordestino

['Queremos ser uma comunidade', diz presidente do Bahia sobre campanhas]
Foto : Divulgação/ECB/Felipe Oliveira

Por Matheus Simoni no dia 21 de Outubro de 2019 ⋅ 12:53

O presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, comentou a ação divulgada no último final de semana, quando o clube publicou um uniforme que usará no jogo desta segunda-feira (21), contra o Ceará, na noite de hoje, pela Série A do Brasileirão. O tricolor adicionou a cor preta no uniforme, em alusão às manchas de óleo que atingem o litoral nordestino. Em entrevista a Mário Kertész, durante o Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole, o dirigente afirmou que, caso o crime ambiental ocorresse no sul do país, a repercussão seria muito maior.

"É um impacto ambiental de sofrimento de toda cadeia do ecossistema marinho, e econômico. Hoje os marisqueiros e pescadores já começam a sofrer as consequências disso, então o Bahia decidiu se posicionar isso, justamente trazendo um pouco a voz do Nordeste, que é pouco ouvida. Se tivesse ocorrido no Sul e Sudeste, a repercussão já seria muito maior. Temos que usar o futebol para isso", declarou.

Bellintani comemorou a repercussão da ação do clube nas redes sociais. O post da camisa manchada de óleo foi visto por 2,5 milhões de pessoas no Twitter, recorde da história do perfil do tricolor na rede. "Lógico que a gente queria não precisar disso, mas é uma notícia boa saber que o Brasil dá atenção a esse tipo de ação, mas por consequência de uma notícia ruim que atinge o litoral Nordeste nas últimas tres semanas. Não se acidente ou irresponsabilidade, porque tem vezes que as duas coisas andam juntas", acrescentou.

O presidente tricolor ainda comentou as ações afirmativas do clube e das campanhas durante os últimos anos. Além da alusão ao vazamento de óleo, o Bahia divulgou peças sobre diversidade LGBT, contra o racismo, a favor de povos indígenas e apoio ao fim do machismo. Para o dirigente, a repercussão vai muito além do futebol.

"O elemento central é o futebol, mas se a gente puder usar essa máquina que é o futebol para se comunicar com as pessoas e comunicar coisas do bem, a gente vai fazer. O propósito é muito maior do que ser meramente um clube de futebol. A gente quer ser uma comunidade que represente muito bem os anseios da sociedade. A gente vai seguir com esse propósito, sofrendo um pouco. Cada ação dessa gente que torce o nariz, reclama e se incomoda. Mas a gente enfrenta. Se a gente não incomodar, é sinal de que fizemos alguma coisa de errada em nossa ação", afirmou Bellintani. 

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