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EUA retiram seis vacinas do calendário infantil de recomendação geral

Internacional

EUA retiram seis vacinas do calendário infantil de recomendação geral

Governo Trump adota modelo de decisão individualizada e medida provoca reação de especialistas e parlamentares

EUA retiram seis vacinas do calendário infantil de recomendação geral

Foto: Freepik

Por: Metro1 no dia 06 de janeiro de 2026 às 14:27

O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta segunda-feira (5), uma alteração no calendário de vacinação infantil ao excluir seis vacinas da lista de recomendações gerais para todas as crianças. A decisão foi adotada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), chefiado por Robert F. Kennedy Jr., e faz parte de uma reavaliação mais ampla da política de imunização estimulada pelo presidente Donald Trump.

Deixaram de constar como recomendações rotineiras os imunizantes contra gripe, hepatites A e B, meningococo, bactéria responsável por casos de meningite, vírus sincicial respiratório, associado à bronquiolite em bebês, e rotavírus, causador de quadros severos de gastroenterite. Meses antes, a vacina contra a Covid-19 já havia sido removida do calendário infantil recomendado.

Com a mudança, que passa a valer de forma imediata, essas vacinas passam a ser indicadas apenas para crianças consideradas mais vulneráveis ou mediante avaliação clínica individual, em um modelo definido como “decisão compartilhada” entre profissionais de saúde e responsáveis legais.

Em comunicado oficial, o secretário de Saúde afirmou que a revisão busca aproximar os Estados Unidos do que classificou como um “consenso internacional” sobre imunização pediátrica. O governo citou países como a Dinamarca, que adotam calendários com menor número de vacinas obrigatórias na infância, como referência.

“O calendário estava excessivamente ampliado”, escreveu Trump em suas redes sociais. Segundo o presidente, os pais continuam com liberdade para vacinar integralmente os filhos, e os imunizantes seguirão cobertos pelos planos de saúde. Com a revisão, o país passa a recomendar 11 vacinas universais na infância, anteriormente eram 17. Para efeito de comparação, a França exige 12 vacinas obrigatórias, enquanto outros países europeus adotam diretrizes distintas.

A decisão, entretanto, gerou reação imediata da comunidade médica. Pediatras e infectologistas avaliam que a comparação com outros países desconsidera diferenças relevantes entre sistemas de saúde, características populacionais e padrões de circulação de doenças. Para o pediatra e especialista em doenças infecciosas Sean O’Leary, o calendário vacinal infantil dos EUA é uma das ferramentas mais consolidadas e eficazes na prevenção de enfermidades graves, e qualquer modificação deveria se apoiar exclusivamente em evidências científicas consistentes.

Pesquisadores da Universidade de Minnesota também questionaram o uso da Dinamarca como parâmetro, ressaltando que o país europeu possui população reduzida e mais homogênea, sistema de saúde fortemente centralizado, acesso universal e baixa incidência de doenças infecciosas, um contexto bastante distinto do norte-americano.

As críticas alcançaram ainda integrantes do próprio Partido Republicano. O senador Bill Cassidy, médico de formação, afirmou que a decisão carece de embasamento científico claro, apresenta baixa transparência e pode gerar apreensão entre médicos e pacientes. Para ele, a retirada das recomendações pode fragilizar ainda mais a confiança na vacinação em um momento sensível, marcado pela queda das coberturas vacinais infantis após a pandemia de Covid-19.

Especialistas alertam que o enfraquecimento das diretrizes pode abrir caminho para o ressurgimento de doenças previamente controladas, como sarampo e meningite, sobretudo em comunidades com menor acesso aos serviços de saúde. Embora caiba aos estados, e não ao governo federal, definir quais vacinas são exigidas para matrícula escolar, as orientações nacionais costumam influenciar políticas locais. Diante das novas regras, alguns estados já analisam medidas próprias para preservar calendários de imunização mais abrangentes.