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Trump reage à decisão da Suprema Corte que derrubou tarifaço e promete novas medidas comerciais
Internacional
Trump reage à decisão da Suprema Corte que derrubou tarifaço e promete novas medidas comerciais
Por 6 votos a 3, tribunal decide que presidente não pode impor tarifas unilateralmente

Foto: Official White House/Daniel Torok
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu entrevista coletiva nesta sexta-feira (20) para comentar a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou o tarifaço comercial imposto por seu governo em abril do ano passado.
Por seis votos a três, a maioria dos ministros concluiu que a lei utilizada pela administração não autoriza o presidente a criar tarifas comerciais de forma unilateral. Na prática, o tribunal entendeu que Trump extrapolou sua autoridade ao adotar a medida sem autorização do Congresso.
Durante a declaração, o republicano afirmou que ainda possui alternativas para manter a política tarifária e sinalizou novas ações econômicas. “Há métodos ainda mais fortes à nossa disposição. Outras saídas serão usadas”, disse, acrescentando que os Estados Unidos poderiam arrecadar “ainda mais dinheiro” com novas tarifas.
Trump também classificou a decisão como “vergonhosa” e “terrível”, além de criticar diretamente os ministros que votaram contra a medida. Segundo ele, a Corte estaria sendo pressionada por interesses estrangeiros.
Entendimento do tribunal
A decisão atinge principalmente as chamadas tarifas recíprocas, consideradas o núcleo da estratégia comercial do governo. O presidente da Corte, John Roberts, relator do caso, afirmou no voto vencedor que o presidente precisa demonstrar uma “autorização clara do Congresso” para justificar a imposição de tarifas amplas, citando precedentes do próprio tribunal.
Ficaram vencidos os ministros Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh. Apesar da decisão, continuam em vigor tarifas específicas já existentes, como as aplicadas sobre aço e alumínio, incluindo produtos brasileiros, adotadas com base na Seção 232 do Trade Expansion Act de 1962, legislação voltada à segurança nacional.
Impactos e próximos passos
O tarifaço havia sido questionado na Justiça em 2025 por empresas afetadas e por 12 estados norte-americanos, em sua maioria governados por democratas, que contestaram o uso da lei para impor taxas de importação sem aprovação legislativa.
Com a decisão, deixam de valer as tarifas de 10% ou mais aplicadas desde abril de 2025 à maior parte dos parceiros comerciais dos EUA. Além disso, o governo americano poderá ser obrigado a devolver parte dos valores arrecadados com os impostos de importação.
Estimativas de economistas do Penn-Wharton Budget Model indicam que o montante a ser restituído pode ultrapassar US$ 175 bilhões (cerca de R$ 912,5 bilhões).
Mesmo assim, a decisão não impede totalmente a criação de novas tarifas, desde que elas sejam implementadas com respaldo legal adequado, o que pode levar o governo Trump a reformular sua estratégia comercial nos próximos meses.
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