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Entenda por que o Estreito de Ormuz é importante e o que acontece se for fechado

Internacional

Entenda por que o Estreito de Ormuz é importante e o que acontece se for fechado

Corredor por onde passa cerca de 20% do petróleo global virou foco de tensão após anúncio do Irã de bloquear a rota

Entenda por que o Estreito de Ormuz é importante e o que acontece se for fechado

Foto: Reprodução/X

Por: Metro1 no dia 03 de março de 2026 às 15:21

O anúncio de que o Estreito de Ormuz estaria fechado elevou a tensão no Oriente Médio e acendeu o alerta nos mercados internacionais. A via marítima é considerada uma das mais estratégicas do planeta, já que concentra parte expressiva do comércio global de energia.

A declaração foi feita por um integrante da Guarda Revolucionária do Irã, dois dias após uma ofensiva aérea dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos que matou autoridades do regime, incluindo o aiatolá Ali Khamenei. Teerã respondeu com ataques de mísseis e drones, ampliando o conflito na região.

Rota central para o petróleo mundial

O Estreito de Ormuz é um canal que liga o Golfo ao mar da Arábia. Em seu ponto mais estreito, separa Irã e Omã por cerca de 33 quilômetros. Apesar da largura reduzida, é profundo o suficiente para permitir a passagem de grandes petroleiros.

Segundo estimativas da U.S. Energy Information Administration, aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo atravessam diariamente o estreito, o equivalente a quase um quinto do consumo global. O valor anual desse fluxo energético é estimado em centenas de bilhões de dólares.

Pelo corredor passam exportações de grandes produtores do Oriente Médio, incluindo integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, além de grande parte do gás natural liquefeito do Catar.

Impacto nos preços

Mesmo antes da confirmação do bloqueio, a escalada militar já pressionava as cotações internacionais. A simples ameaça de interrupção em Ormuz costuma provocar reação nos mercados, pois limita a oferta global e eleva o risco para transportadoras e seguradoras.

Analistas apontam que um fechamento prolongado poderia disparar o preço do barril e gerar instabilidade nas bolsas internacionais. Países fortemente dependentes da importação de energia seriam os mais afetados.

A China, maior compradora de petróleo iraniano, está entre os países que poderiam sentir impacto direto. Parte relevante das importações chinesas passa pelo estreito, assim como o abastecimento de outras economias asiáticas, como Índia, Japão e Coreia do Sul.

É possível bloquear a passagem?

Pelas regras internacionais, Irã e Omã exercem controle sobre águas territoriais que incluem o trecho mais estreito do canal. No entanto, também há a avaliação de que um bloqueio total seria difícil de sustentar por longo período. Em crises anteriores, como na chamada “guerra dos petroleiros” nos anos 1980, os Estados Unidos mobilizaram escoltas militares para garantir a navegação comercial na região.

Consequências globais

Um eventual fechamento completo teria efeito em cadeia: encarecimento do petróleo, aumento dos custos de transporte, pressão inflacionária e desaceleração econômica em diferentes partes do mundo.

Além disso, economias do próprio Golfo, altamente dependentes das exportações de energia, também sofreriam perdas significativas.

Por concentrar volume expressivo do comércio mundial de petróleo em um espaço geograficamente restrito, o Estreito de Ormuz se tornou um dos pontos mais sensíveis do tabuleiro geopolítico global. Qualquer instabilidade na região ultrapassa fronteiras e repercute rapidamente na economia internacional.