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Comissão Interamericana de Direitos Humanos critica operação policial no Rio que deixou 122 mortos

Internacional

Comissão Interamericana de Direitos Humanos critica operação policial no Rio que deixou 122 mortos

Relatório afirma que ação ampliou violência estatal e não reduziu criminalidade

Comissão Interamericana de Direitos Humanos critica operação policial no Rio que deixou 122 mortos

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Por: Metro1 no dia 06 de março de 2026 às 09:38

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) concluiu que a Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 no Rio de Janeiro, não trouxe resultados efetivos para a segurança pública e agravou a violência estatal. A avaliação consta em relatório divulgado nesta sexta-feira (6).

A ação, conduzida pelas polícias Civil e Militar do estado, deixou 122 mortos e produziu imagens de corpos enfileirados em uma rua do bairro da Penha, na zona norte da capital fluminense.

“Longe de enfraquecer estruturalmente o crime organizado, a intervenção aprofundou o sofrimento comunitário, reforçou a desconfiança institucional e elevou padrão histórico de violência estatal a novo patamar de gravidade”, afirma um trecho do documento.

Segundo a comissão, a operação repete um padrão de segurança pública marcado por operações extensivas, militarização de territórios e endurecimento punitivo. O relatório aponta preferência por ações letais, mesmo em contextos de alto risco para a população civil.

Para a CIDH, o aumento de mortes em operações desse tipo não reduz a criminalidade. O documento afirma que, além de provocar graves violações de direitos humanos, o modelo é ineficaz, já que integrantes de grupos criminosos são substituídos e redes ilícitas acabam reconstituídas.

O relatório foi elaborado após visita de membros da comissão ao Rio de Janeiro nos primeiros dias de dezembro de 2025. Durante a missão, foram realizadas reuniões com autoridades, organizações da sociedade civil, especialistas, defensores de direitos humanos e familiares de vítimas da operação.

A análise também utilizou dados de instituições públicas e reportagens da imprensa. Os investigadores identificaram falhas nas apurações, como falta de preservação de cenas de crime, fragilidades na independência pericial, problemas na cadeia de custódia e elevado número de casos arquivados.

A comissão lembrou ainda que o Brasil já foi condenado internacionalmente por violações relacionadas a operações policiais, como nos massacres de Acari, em 1990, e de Nova Brasília, ocorridos em 1994 e 1995.

Entre as recomendações apresentadas no relatório estão a priorização de políticas de prevenção, investimentos em inteligência policial, fortalecimento do controle sobre o tráfico de armas e revisão de protocolos de atuação das forças de segurança para alinhá-los às normas internacionais de direitos humanos.

O documento também defende a autonomia dos órgãos periciais, o fortalecimento do controle externo exercido pelo Ministério Público sobre a atividade policial e a garantia de investigações independentes sobre todas as mortes ligadas à Operação Contenção.

A operação contou com cerca de 2,5 mil policiais e é considerada a maior e mais letal realizada no estado do Rio de Janeiro nos últimos 15 anos. Segundo o governo estadual, a ação teve como objetivo conter o avanço da facção Comando Vermelho e cumprir mandados de busca e prisão.

Ao todo, foram registradas 113 prisões, apreensão de 118 armas e cerca de uma tonelada de drogas. O governo afirmou que os mortos reagiram à operação e que os suspeitos que se renderam foram presos.

Moradores da região, familiares das vítimas e organizações de direitos humanos classificam a operação como uma “chacina” e denunciam execuções e outros abusos durante a ação policial.