
Internacional
Tensão entre Colômbia e Equador aumenta após acusações de bombardeios
Gustavo Petro fala em ataques a partir do país vizinho, enquanto Daniel Noboa nega e reforça ações contra o narcotráfico

Foto: Reprodução Agência Brasil
Os conflitos entre Colômbia e Equador voltaram a se intensificar após o presidente colombiano, Gustavo Petro, afirmar que há indícios de que bombas teriam sido lançadas a partir do território equatoriano.
Segundo Petro, explosões registradas na região de fronteira levantam suspeitas de ataques aéreos vindos do país vizinho, embora ele tenha ressaltado a necessidade de investigação para confirmar a origem dos artefatos. “Estão nos bombardeando a partir do Equador, e não são grupos armados”, declarou, mencionando ainda a existência de uma gravação sobre o caso, que, segundo ele, teria origem equatoriana.
O presidente colombiano também afirmou ter acionado o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pedindo mediação para evitar uma escalada do conflito. “Não queremos entrar em guerra”, disse Petro, reforçando a necessidade de respeito à soberania nacional.
Do outro lado, o presidente do Equador, Daniel Noboa, negou categoricamente qualquer ação militar em território colombiano. Em resposta, acusou o governo vizinho de permitir a infiltração de grupos criminosos e afirmou que as operações militares ocorrem exclusivamente dentro das fronteiras equatorianas.
Noboa também declarou que o país segue intensificando ações contra o narcotráfico, incluindo bombardeios a esconderijos de organizações criminosas, muitas delas, segundo ele, formadas por colombianos. As declarações ampliam o desgaste diplomático entre os dois países.
A crise bilateral se agravou nos últimos meses, especialmente após o Equador impor uma tarifa de 30% sobre produtos colombianos, sob o argumento de segurança na fronteira. Em resposta, a Colômbia suspendeu o fornecimento de energia elétrica ao país vizinho e aplicou tarifas semelhantes a produtos equatorianos.
Paralelamente, o Equador vem estreitando relações com os Estados Unidos, com acordos de cooperação militar e ações conjuntas de combate ao narcotráfico. O governo equatoriano passou a classificar cartéis como organizações terroristas, alinhando-se à política adotada por Washington.
Nos últimos dias, o país também inaugurou, em Quito, uma unidade do Federal Bureau of Investigation (FBI) e ampliou medidas de segurança interna, como estados de emergência e toques de recolher.
Além disso, decisões políticas recentes, como a suspensão do partido Revolução Cidadã, ligado ao ex-presidente Rafael Correa, aumentaram a tensão interna. A legenda enfrenta investigação por suspeita de lavagem de dinheiro, enquanto aliados denunciam perseguição política.
O cenário ocorre em meio a uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos para reforçar sua presença na América Latina, com foco no combate ao narcotráfico e na contenção da influência de países como China e Rússia. A política retoma princípios da histórica Doutrina Monroe, que defende a predominância de Washington no continente.
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