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Crise no Estreito de Ormuz mobiliza cúpula global e amplia tensão na ONU
Internacional
Crise no Estreito de Ormuz mobiliza cúpula global e amplia tensão na ONU
Reino Unido lidera articulação com mais de 40 países, enquanto proposta de uso da força divide potências como Rússia, China e França

Foto: Reprodução/X
Após um mês de fechamento do Estreito de Ormuz, o Reino Unido liderou uma reunião de cúpula com mais de 40 países para discutir estratégias de reabertura da rota, responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo e gás consumidos globalmente.
A chanceler britânica, Yvette Cooper, afirmou que o Irã tem “sequestrado uma rota marítima internacional”, mantendo a economia global sob pressão. Segundo ela, a prioridade é restabelecer a liberdade de navegação e conter os impactos econômicos da crise. “Estamos discutindo as consequências do fechamento, a urgência da reabertura e nossa determinação em garantir o fluxo marítimo internacional”, declarou.
De acordo com o governo britânico, já foram registrados ao menos 25 ataques a embarcações, deixando cerca de 20 mil marinheiros retidos em aproximadamente 2 mil navios. A situação tem pressionado preços de combustíveis, fretes e custos de vida em diversos países.
Diplomatas europeus indicam que, neste momento, o foco está em avaliar quais nações estariam dispostas a integrar uma coalizão para pressionar Teerã e quais instrumentos econômicos e políticos poderiam ser utilizados. A possibilidade de ação militar segue em debate, mas ainda sem adesão concreta de países à ofensiva liderada por Estados Unidos e Israel.
Durante visita a Seul, o presidente da França, Emmanuel Macron, defendeu que a segurança da rota só seja restabelecida por meio de negociação com o Irã e após um cessar-fogo. “A reabertura à força nunca foi nossa escolha”, afirmou.
Macron também criticou o presidente americano, Donald Trump, acusando-o de enfraquecer a OTAN ao lançar dúvidas constantes sobre o compromisso dos EUA com a aliança. Trump, por sua vez, não enviou representantes à cúpula e afirmou que a segurança do estreito não é responsabilidade americana.
Em outra frente diplomática, países árabes articulam no Conselho de Segurança da ONU a aprovação de uma resolução que permita o uso da força para reabrir a passagem. A proposta, liderada pelo Bahrein, enfrenta resistência de potências com poder de veto, como Rússia, China e, em menor grau, a própria França.
O texto prevê autorização para que países ou coalizões utilizem “todos os meios necessários” para restabelecer o tráfego marítimo, o que levanta preocupações sobre uma possível escalada militar na região.
O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo, Jassim Albudawi, afirmou que as ações iranianas colocam em risco a segurança energética e o comércio global, mas ressaltou que os países do bloco não buscam conflito. “Queremos paz, segurança e estabilidade”, disse.
Apesar da pressão, não há garantia de aprovação da resolução. Diplomatas indicam que Rússia e China veem o texto como uma possível autorização para ações militares contra o Irã, enquanto a França tenta suavizar o conteúdo para viabilizar um consenso. O impasse ocorre em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, com impactos diretos na economia global e riscos crescentes de ampliação do conflito.
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