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Queda da Bastilha: o episódio que marcou o início da Revolução Francesa completa 237 anos
Celebrado em 14 de julho, o principal feriado nacional da França relembra a tomada da fortaleza que se tornou símbolo da luta contra o absolutismo e inspirou democracias ao redor do mundo

Foto: Eugène Delacroix/Domínio Público
Hoje a França vive um dia de dupla importância. Além da semifinal da Copa do Mundo de 2026 contra a Espanha, o país celebra o Dia da Queda da Bastilha, principal feriado nacional francês. A data marca os 237 anos da tomada da antiga fortaleza que se tornou o principal símbolo da Revolução Francesa, movimento que transformou profundamente a política mundial e lançou bases para conceitos como cidadania, soberania popular e direitos individuais.
Em 14 de julho de 1789, uma multidão de parisienses invadiu a Bastilha, prisão que representava o poder absoluto da monarquia de Luís XVI. Embora o local abrigasse apenas sete prisioneiros naquele dia, sua conquista teve enorme impacto simbólico ao demonstrar o enfraquecimento do Antigo Regime e a força da mobilização popular.
Naquele período, a França enfrentava uma grave crise econômica e social. Enquanto o clero e a nobreza desfrutavam de privilégios políticos e fiscais, a maior parte da população sustentava o Estado por meio de impostos elevados e convivia com pobreza, fome e sucessivas crises financeiras.
Inspirados pelas ideias iluministas de pensadores como Voltaire, Rousseau, Montesquieu e Diderot, além da influência da independência dos Estados Unidos, representantes da burguesia, trabalhadores urbanos e camponeses passaram a questionar a legitimidade da monarquia absolutista. Em junho de 1789, integrantes do Terceiro Estado romperam com a estrutura política vigente e criaram a Assembleia Nacional, responsável pela elaboração de uma nova Constituição.
O legado da Revolução
Poucas semanas após a tomada da Bastilha, a Assembleia Nacional aprovou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, documento que estabeleceu princípios considerados inovadores para a época, como a igualdade perante a lei, a soberania da nação, a liberdade individual e a proibição de prisões arbitrárias.
Os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade difundidos pela Revolução Francesa ultrapassaram as fronteiras do país e influenciaram movimentos de independência nas Américas, revoluções liberais na Europa e a elaboração de constituições modernas em diferentes partes do mundo.
As contradições do movimento
Apesar do legado político, a Revolução Francesa também foi marcada por episódios de violência. Durante o chamado Período do Terror, milhares de pessoas foram executadas na guilhotina sob o comando dos jacobinos. Anos depois, a instabilidade política favoreceu a ascensão de Napoleão Bonaparte, que promoveu importantes reformas administrativas e jurídicas, mas também instaurou um novo regime autoritário.
Além disso, os direitos proclamados em 1789 não alcançavam plenamente mulheres, pessoas escravizadas e povos colonizados. A ampliação desses direitos ocorreu ao longo dos séculos seguintes, impulsionada por movimentos abolicionistas, feministas, trabalhistas e de defesa dos direitos humanos.
Influência no Brasil
Os ideais da Revolução Francesa também influenciaram movimentos no Brasil, como a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana. Ao longo dos séculos XIX e XX, princípios como soberania popular, cidadania, igualdade jurídica e separação entre Estado e religião passaram a integrar o debate político brasileiro e encontram respaldo na Constituição Federal de 1988.
Passados 237 anos da Queda da Bastilha, o episódio permanece como um dos acontecimentos mais importantes da história contemporânea. Os princípios difundidos pela Revolução Francesa continuam presentes nas discussões sobre democracia, direitos civis, igualdade e participação popular, mostrando que seu legado segue influenciando o debate político em diferentes partes do mundo.
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