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Espanha registra entrada de quase 50 mil migrantes em Ceuta em apenas um dia

Internacional

Espanha registra entrada de quase 50 mil migrantes em Ceuta em apenas um dia

Crise mobiliza autoridades, provoca reações na Europa e reacende debate sobre política migratória

Espanha registra entrada de quase 50 mil migrantes em Ceuta em apenas um dia

Foto: Reprodução/X Jupol

Por: Metro1 no dia 31 de julho de 2026 às 07:58

Cerca de 49 mil migrantes chegaram ao enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, nas últimas 24 horas, segundo estimativa divulgada nesta sexta-feira (31) pelo Ministério do Interior da Espanha. As travessias ocorreram por mar e por terra a partir do território marroquino e configuram o maior fluxo migratório registrado na região desde, pelo menos, 2021.

Após a entrada em massa, Espanha e Marrocos reforçaram a segurança na fronteira, medida que reduziu as tentativas de travessia. Durante a operação, pelo menos 19 corpos foram encontrados no mar. No lado marroquino, agentes utilizaram caminhões com canhões de água para conter a multidão. Também foram registrados confrontos, que deixaram veículos incendiados nas proximidades da fronteira.

O governo espanhol informou que pretende acelerar a devolução dos migrantes que entraram de forma irregular, respeitando as determinações judiciais e os direitos dessas pessoas. O primeiro-ministro Pedro Sánchez programou uma visita a Ceuta ao lado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, para acompanhar a situação.

A crise provocou reações na Europa. A Itália chegou a ameaçar suspender o sistema de livre circulação entre países da União Europeia diante da pressão migratória. Ceuta e Melilla, os dois territórios espanhóis localizados no norte do Marrocos, são as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com o continente africano e costumam registrar tentativas frequentes de entrada de migrantes.

Segundo o ministro da Política Territorial da Espanha, Ángel Víctor Torres, um dos fatores que podem ter contribuído para o aumento das travessias foi uma recente decisão do Supremo Tribunal espanhol que restringiu as devoluções imediatas de migrantes interceptados no mar. Enquanto isso, milhares de pessoas permaneciam concentradas na cidade marroquina de Fnideq em busca de novas formas de cruzar a fronteira, incluindo mulheres e crianças.

Entidades ligadas à Guarda Civil e organizações de apoio aos migrantes criticaram a estrutura disponível para lidar com a crise. Representantes da polícia afirmaram que o efetivo era insuficiente para controlar a chegada em massa, enquanto grupos humanitários defenderam mudanças na política migratória e reforço dos recursos destinados ao atendimento dos migrantes em Ceuta.