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Marrocos culpa decisão judicial da Espanha por travessias em massa para Ceuta
Internacional
Marrocos culpa decisão judicial da Espanha por travessias em massa para Ceuta
Autoridade marroquina afirma que mudança nas regras de devolução de imigrantes enfraqueceu mecanismo de dissuasão e favoreceu atuação de redes de tráfico humano

Foto: Reuters/Folhapress
Uma autoridade do governo do Marrocos atribuiu, nesta segunda-feira (3), a crise migratória registrada na fronteira com o enclave espanhol de Ceuta a uma decisão da Justiça da Espanha que limitou a devolução imediata de imigrantes. Segundo o representante, a medida enfraqueceu o efeito de dissuasão e foi explorada por redes de tráfico de pessoas.
De acordo com o governo espanhol, cerca de 69,5 mil imigrantes já retornaram de Ceuta ao Marrocos desde a travessia em massa da última semana. Já Rabat afirma que aproximadamente 40 mil pessoas conseguiram entrar no território espanhol.
Acusações e resposta
A autoridade marroquina negou que o país tenha reduzido o controle na fronteira antes da travessia e afirmou que cerca de 24 mil agentes atuam na costa norte para impedir a imigração irregular.
Segundo ele, a decisão judicial espanhola, tomada em 8 de julho, transmitiu a mensagem de que os migrantes estariam protegidos ao chegar ao território espanhol, incentivando novas travessias.
O presidente regional de Ceuta, Juan Jesús Vivas, acusou o Marrocos de ter permitido o fluxo de migrantes, enquanto a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou contra o uso da imigração irregular como instrumento de pressão sobre um Estado-membro da União Europeia.
Mortes na fronteira
A crise deixou, até o momento, ao menos 83 mortos, sendo 72 no lado espanhol da fronteira e 11 no lado marroquino.
Apesar das críticas à decisão da Justiça espanhola, a autoridade marroquina afirmou que a cooperação entre os dois países no controle migratório era "exemplar" até a mudança nas regras e defendeu que cabe à Espanha restabelecer mecanismos de dissuasão à imigração irregular.
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