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EUA criticam presença de estatais chinesas em grandes obras na América Latina
Governo americano aponta problemas em projetos de infraestrutura e amplia pressão contra a influência de Pequim na região

Foto: Official White House / Daniel Torok
O governo dos Estados Unidos aumentou as críticas à atuação de empresas estatais chinesas em grandes projetos de infraestrutura na América Latina. O secretário de Estado adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Juan Pablo Segura, afirmou que empreendimentos realizados por companhias de Pequim em países como Equador, Peru e Guiana apresentaram problemas que vão de atrasos e aumento de custos a falhas estruturais e rompimentos de contratos.
Em uma publicação nas redes sociais, Segura citou empresas como a Sinohydro Corporation e a China Railway Group Limited. Segundo ele, projetos conduzidos pelas companhias chinesas também estariam associados a aumento do endividamento de governos e impactos ambientais.
Um dos exemplos apresentados pelo governo americano é a hidrelétrica Coca Codo Sinclair, no Equador. Construída pela Sinohydro durante o governo do ex-presidente Rafael Correa, a usina entrou em funcionamento em 2016 e se tornou um dos principais empreendimentos de geração de energia do país.
O projeto, entretanto, passou a apresentar problemas técnicos. Entre eles estão fissuras em componentes do sistema de distribuição de aço. Dados da Companhia Equatoriana de Eletricidade (CELEC) registravam 17.661 fissuras até 2022. As falhas também atrasaram a aceitação formal da obra pelo governo equatoriano.
China e EUA disputam influência
Além das questões estruturais, Washington questiona o modelo de financiamento utilizado em grandes obras da região. A construção de Coca Codo Sinclair, por exemplo, recebeu cerca de US$ 1,68 bilhão em financiamento do Banco de Exportação e Importação da China (Eximbank), enquanto a Sinohydro ficou responsável pela execução.
A ofensiva americana ocorre em meio à disputa entre Washington e Pequim pela influência econômica e política na América Latina. Infraestrutura, energia, mineração, logística, telecomunicações e tecnologia estão entre os setores considerados estratégicos pelos dois países.
A China rejeita a pressão americana e defende que os países latino-americanos tenham liberdade para escolher seus parceiros. Em encontro com o presidente do Equador, Daniel Noboa, o presidente chinês Xi Jinping afirmou que o desenvolvimento da região não deve ser interrompido e que as nações devem decidir de forma independente com quem desejam cooperar.
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