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Estudantes e professores dos setores público e privado pressionam o governo por falta de recursos nas escolas de ensino médio em toda a França

Foto: Reuters/Folhapress
Uma marcha de apoio ao movimento estudantil lotou as ruas de Paris com milhares de manifestantes nesta terça-feira (6). Desde o início dos protestos, há cerca de duas semanas, mais de 5 mil pessoas já foram detidas pela polícia, incluindo menores de idade sem antecedentes criminais. Estudantes, professores e policias também ficaram feridos em confronto.
A estimativa é que centenas de escolas foram obrigadas a fechar e mais de 100 foram danificadas. Apenas na região metropolitana de Paris, o prejuízo esperado é de 7 milhões de euros (cerca de 39 milhões de reais).
O início dos protestos
No dia 21 de setembro, estudantes e professores de uma escola de ensino médio no subúrbio de Paris, chamada Liceu Saint-Exupéry, iniciaram um protesto para denunciar a falta de funcionários e de recursos. A greve foi encerrada quando as reivindicações dos manifestantes foram atendidas, e foram enviados ao colégio novos contratados. A partir daí, uma onda de protestos surgiu por todo o país.
Outros estudantes de Paris e arredores deram início a bloqueios nas entradas dos seus respectivos liceus, movimento que se espalhou por toda a França, tanto no norte, como na cidade de Lille, como no sul, em Marselha. Lixeiras foram incendiadas, barricadas foram erguidas e professores foram agredidos. A atuação da polícia e o suposto envolvimento da extrema esquerda provocaram uma reação negativa por parte da população.
Imagens de estudantes incendiando lixeiras, erguendo barricadas, agredindo professores começaram a circular na mídia. A atuação policial e o envolvimento da extrema-esquerda também estão sendo questionados. Um policial foi filmado aplicando um "mata-leão", técnica proibida por lei, em uma jovem em Alençon, na Normandia. No norte do país, um estudante em Lens perdeu a mão após manuseio de uma granada. Em Tours, outro jovem ficou sem a visão de um olho quando foi atingido por uma bala de borracha.
Em 2010, a França passou por um aumento na taxa de natalidade. Hoje, o número de estudantes nos liceus aumentou em 250 mil quando comparado a 2008. Nos colégios públicos, 70% das salas de aula têm mais de 30 alunos.
O que diz o governo
O partido La Franse Insoumise (A França Insubmissa), liderado pelo candidato à Presidência Jean-Luc Mélenchon se manifestou a favor do direito dos estudantes de protestar, bem como do direito da legenda de acompanhar a movimentação.
O orçamento do governo francês para 2027 continha uma concessão para as taxas de liceus voltados à preparação para a carreira em tecnologia, mas ela foi retirada. Na última sexta-feira (2), o ministro da educação, Edouard Geffray, se reuniu com os principais lideranças estudantis, mas não conseguiu chegar a um acordo. Ainda na semana passada, o Ministério do Interior do país contabilizou 2 mil pessoas detidas em um único dia durante uma escalada nos protestos estudantis para violência urbana.
O Executivo francês busca reduzir o déficit a 5% do PIB, que só poderá ser alcançado com redução extrema dos gastos públicos. Na semana passada, os ativos do governo para captar recursos, os títulos públicos, chegaram a mais de 5%, nível mais alto desde 2002.
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