
Internacional
França admite perda de controle frente aos protestos e reconhece falhas
Ministro do Interior admite que forças de segurança “perderam o controle” em algumas cidades, pede demissão, mas é mantido no cargo pelo presidente

Foto: Gouvernement français
A França entrou nesta segunda-feira (19) em uma nova etapa da crise que tomou as ruas do país. Depois de um fim de semana marcado por confrontos, incêndios e saques, o governo francês passou a adotar medidas mais duras para tentar conter a violência. Em meio à pressão, o presidente Emmanuel Macron reconheceu falhas na atuação das forças de segurança e recusou o pedido de demissão do ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Nuñez havia apresentado a demissão após os episódios de violência registrados em diversas cidades. O ministro, que assumiu a responsabilidade pela atuação das forças de segurança, reconheceu que a polícia “perdeu o controle” em algumas cidades durante os protestos. Segundo ele, o efetivo mobilizado não foi suficiente para conter os grupos envolvidos nos confrontos e nos saques.
Falhas reconhecidas
A própria Presidência francesa admitiu que houve problemas na antecipação dos acontecimentos. Macron apontou “falhas de antecipação e de informação” que contribuíram para a escalada da violência e determinou que o ministro apresente novas estratégias de atuação das forças de segurança.
Apesar disso, Macron decidiu manter Nuñez no cargo. O Palácio do Eliseu justificou a decisão pela necessidade de preservar o comando das forças de segurança diante do cenário de tensão. O presidente também cobrou transparência sobre os erros de planejamento e inteligência que antecederam os confrontos.
A crise ganhou dimensão ainda maior com a adoção de toques de recolher localizados em cidades afetadas pela violência. Em Paris, por exemplo, foram anunciadas restrições noturnas em áreas específicas, enquanto outras cidades também passaram a limitar a circulação, especialmente de menores de idade.
Pressão nas ruas
Os protestos, inicialmente relacionados ao aumento do custo de vida e à deterioração dos serviços públicos, reuniram centenas de milhares de pessoas no sábado. A mobilização acabou acompanhada por saques, incêndios e ataques a estabelecimentos comerciais e prédios públicos em diferentes pontos do país. Cerca de 2.400 pessoas foram detidas, enquanto quase mil policiais e integrantes das forças de segurança ficaram feridos, segundo as autoridades.
O cenário levou o governo a reforçar a presença policial e a adotar medidas emergenciais. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu defendeu restrições localizadas, mas descartou, por enquanto, um toque de recolher generalizado ou a decretação de estado de emergência.
A sequência de medidas expõe o tamanho do desafio para o governo francês: enquanto Macron tenta preservar a cadeia de comando e reorganizar a resposta policial, o próprio ministro responsável pela segurança admite que, em parte do território, o Estado perdeu o controle da situação.
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