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Autoridades dos EUA temem interferência de Trump nas eleições legislativas, diz Washington Post
Aliados do republicano discutem lei marcial antes das eleições de meio de mandato

Foto: The White House Gallery
A menos de duas semanas das eleições legislativas de meio de mandato americanas, conhecidas como midterms, marcadas para 3 de novembro, autoridades de segurança dos Estados Unidos demonstram preocupação crescente com uma possível interferência do presidente Donald Trump, motivada por pedidos de aplicação da lei marcial feitos por apoiadores trumpistas.
Segundo informações do jornal The Washington Post, um pequeno grupo de autoridades e ex-integrantes do executivo aconselha discretamente governos estaduais e parlamentares do Congresso sobre como se preparar. Em nota enviada ao Post, os agentes, com experiência no Departamento de Guerra e no “combate ao autoritarismo” no exterior, afirmam que a iniciativa não tem viés político e nasce do receio de que Trump comprometa a integridade da votação para manter os republicanos no poder.
Nos últimos meses, o grupo consultou autoridades de dez estados, entre governadores, responsáveis eleitorais e parlamentares dos dois partidos. “Todos disseram que estão preocupados, mas não sabem o que fazer”, disse um integrante ao jornal.
Em um comício no estado do Kansas nesta segunda-feira (19), Trump afirmou que os EUA “queimará como a França” caso os Democratas, partido da oposição, chegue ao poder. A referência aos protestos violentos recentes que tomaram conta da Europa alertou setores que enxergaram na fala uma ameaça de interferência. Entretanto, a porta-voz da Casa Branca, Lauren Bis, rejeitou as preocupações e culpou os democratas por não apoiarem leis eleitorais mais rígidas.
Pedidos de Lei Marcial
Diante de declarações do presidente em ataque ao sistema eleitoral, ativistas mais radicais do movimento trumpista pressionam o republicano a adotar medidas extraordinárias, incluindo a lei marcial, caso considerem as eleições fraudadas. A ativista Tina Peters, condenada em 2024 a nove anos de prisão por crimes ligados à violação de equipamentos eleitorais no estado do Colorado, reuniu-se com o presidente ao lado do advogado e amigo de infância de Trump, Peter Ticktin, para debater o tema.
A lei marcial americana, exigida por Ticktin no caso considere as eleições fraudadas, é um regime jurídico de exceção em que o controle civil e as leis habituais são substituídos ou limitados pelas Forças Armadas ou pela Guarda Nacional. Setores da marinha também teriam sugerido que Trump invoque a Lei Nacional de Emergências para obrigar os estados a mudar a forma de organizar as eleições.
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