Quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Faça parte do canal da Metropole no WhatsApp

Home

/

Notícias

/

Internacional

/

Parlamentares dos EUA cobram Zuckerberg por suposto favorecimento a Flávio Bolsonaro nas redes

Internacional

Parlamentares dos EUA cobram Zuckerberg por suposto favorecimento a Flávio Bolsonaro nas redes

Carta assinada por 13 congressistas questiona restrições a conteúdos de Lula e pede explicações sobre a atuação da Meta nas eleições brasileiras

Parlamentares dos EUA cobram Zuckerberg por suposto favorecimento a Flávio Bolsonaro nas redes

Foto: Agência Efe/Folhapress

Por: Metro1 no dia 22 de outubro de 2026 às 18:38

Treze parlamentares dos Estados Unidos cobraram explicações do presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, sobre denúncias de tratamento desigual às campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas plataformas da empresa durante as eleições brasileiras. Em carta enviada nesta quinta-feira (22), deputados e senadores americanos demonstraram preocupação com possíveis restrições a conteúdos ligados ao petista e maior alcance de publicações associadas ao adversário.

O documento afirma que empresas de tecnologia devem assegurar condições iguais aos candidatos em relação à distribuição e à recomendação de conteúdos em períodos eleitorais.

“Estamos, portanto, profundamente preocupados com relatos confiáveis de que as plataformas da Meta estariam restringindo ou suprimindo conteúdos associados à campanha de Lula, ao mesmo tempo que ampliam o alcance ou recomendam conteúdos associados à campanha de Bolsonaro, criando, assim, condições marcadamente desiguais no ambiente digital”, diz o texto.

A carta menciona relatos de usuários sobre o comportamento da inteligência artificial do WhatsApp, que teria recusado pedidos para criar imagens da campanha de Lula, mas aceitado solicitações semelhantes relacionadas a Flávio Bolsonaro. O episódio levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cobrar esclarecimentos da Meta. Na terça-feira (20), a empresa afirmou ter cumprido as determinações da Corte para garantir tratamento isonômico no segundo turno.

Os congressistas também citaram a desativação da conta de anúncios de Lula no Facebook, em 23 de setembro, 11 dias antes do primeiro turno, e restrições que impediram a campanha petista de impulsionar publicações no Instagram por quase 24 horas, entre 9 e 10 de outubro. Segundo a campanha, cerca de 1,3 milhão de pessoas deixaram de visualizar anúncios durante o segundo episódio.

A correspondência ainda menciona as sanções impostas pelo TSE à Meta. Na quinta-feira (15), a Corte multou a empresa e determinou que garantisse tratamento igual aos candidatos. Quatro dias depois, dobrou a multa por descumprimento da decisão.

Na terça-feira (20), a Meta informou ter concluído a implementação de 17 medidas para atender às determinações judiciais. Entre elas, está um sistema de revisão humana das restrições aplicadas às contas de anúncios das campanhas.

Congressistas pedem reunião e auditoria

Os parlamentares solicitaram uma reunião com representantes da Meta para sexta-feira (23) e estabeleceram o dia 4 de novembro como prazo para o envio de respostas por escrito.

Entre os questionamentos estão os critérios utilizados pela empresa para moderar conteúdos durante eleições em outros países e a existência de contatos entre a Meta e integrantes do governo de Donald Trump sobre o Judiciário brasileiro, a regulamentação das plataformas digitais ou as eleições de 2026.

Os congressistas também querem saber quando a companhia identificou possíveis diferenças de tratamento entre as campanhas e quais providências adotou para corrigir eventuais falhas.

Outro ponto envolve o sistema de revisão humana anunciado pela empresa, que prevê a análise, em até duas horas, de restrições automatizadas às contas de anúncios dos candidatos.

Por fim, os parlamentares questionam se a Meta permitirá que auditores independentes tenham acesso a dados internos sobre moderação e distribuição de conteúdo político, a fim de verificar se as campanhas receberam tratamento igual durante o processo eleitoral brasileiro.