
Internacional
Acidentes ferroviários mataram 204 pessoas na Espanha em dez anos
País registrou 531 acidentes significativos entre 2015 e 2024; apenas neste ano, duas tragédias somaram ao menos 114 mortos

Foto: Governo da Espanha/AESF
A Espanha atravessa um dos períodos mais dramáticos de sua história ferroviária recente. Só neste ano, duas colisões envolvendo trens de alta velocidade, nos municípios de Adamuz, na Andaluzia, e Urda, na região de Castilla-La Mancha, provocaram pelo menos 114 mortes. Os acidentes, ocorridos com pouco mais de nove meses de intervalo, reacenderam o debate sobre a segurança da infraestrutura, a sinalização e os procedimentos de controle da circulação ferroviária.
A tragédia de Adamuz aconteceu em 18 de janeiro, quando uma composição da operadora Iryo descarrilou e atingiu um trem Alvia, da estatal Renfe, que trafegava em sentido contrário. O balanço oficial espanhol contabilizou 45 mortos e 123 feridos no acidente. As primeiras análises técnicas investigaram a possibilidade de uma fratura no trilho anterior ao descarrilamento.
Neste mês, uma nova colisão, perto de Urda, na província de Toledo, provocou pelo menos 69 mortes, segundo balanço divulgado na manhã seguinte. Um trem da Renfe atingiu a traseira de uma composição Iryo que estava parada. A investigação preliminar passou a examinar uma falha de comunicação informatizada e uma decisão do centro de controle que teria autorizado a retomada da circulação sem as restrições de segurança necessárias. A hipótese ainda precisa ser confirmada pela investigação.
Os dois desastres, somados, representam pelo menos 114 mortes. Os balanços de feridos permanecem sujeitos a atualização, especialmente no caso de Urda, onde as equipes de resgate continuavam trabalhando entre os destroços.
Dezenas de acidentes por ano
O problema, entretanto, não se limita aos episódios que provocam dezenas de mortes e dominam o noticiário internacional. Os registros estatísticos europeus mostram uma frequência considerável de acidentes ferroviários significativos na Espanha. Em 2023, foram contabilizados 77 acidentes significativos, 22 mortes e 23 feridos graves, segundo dados compilados pelo Observatório do Transporte e da Logística na Espanha. Já em 2024, a Agência Ferroviária da União Europeia registrou 57 acidentes significativos, 18 mortes e três feridos graves.
Os números não devem ser confundidos com o total de colisões entre trens. A categoria de acidente significativo também inclui descarrilamentos, ocorrências em passagens de nível e acidentes envolvendo pessoas atingidas por material rodante, além de eventos que provocam danos importantes à infraestrutura ou interrupções graves do tráfego.
A comparação entre 2023 e 2024 aponta uma redução no número de acidentes significativos e de vítimas fatais. Isso, porém, não permite concluir que a segurança ferroviária tenha melhorado de maneira contínua, sobretudo diante da concentração de mortes nos dois grandes desastres de 2026.
Três acidentes que dimensionam a gravidade:

Adamuz, 18 de janeiro de 2026: 45 mortos
O descarrilamento de um trem Iryo e a colisão com um Alvia em sentido contrário deixaram também 123 feridos, conforme o decreto espanhol de assistência às vítimas. A investigação técnica examina as condições do trilho e a sequência do descarrilamento.
O Porriño, 9 de setembro de 2016: quatro mortos
Um trem que fazia a ligação entre Vigo e Porto descarrilou na Galícia. A investigação apontou velocidade excessiva na aproximação a um desvio como fator determinante. O caso demonstra que acidentes com menos vítimas do que as tragédias de 2026 também podem revelar falhas operacionais graves.
Urda, 28 de outubro de 2026: pelo menos 69 mortos
A colisão entre um trem da Renfe e uma composição Iryo parada na linha tornou-se a tragédia ferroviária mais letal da Espanha desde o desastre de Santiago de Compostela, em 2013. A apuração examina uma possível falha de comunicação informatizada e a autorização para retomar a circulação. As circunstâncias e as responsabilidades ainda dependem da investigação.
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